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Dois meses após primeiro caso de Covid-19: o que mudou com o enfrentamento à pandemia em Pelotas

Nesse período o município criou unidades de referência e ampliou o número de leitos para pacientes infectados, enquanto consegue manter altos índices de isolamento social

Por Alessandra Senna 25-05-2020 | 16:33:43

No dia 25 de março, Pelotas entrava para uma das mais cruéis estatísticas dos últimos tempos: as notificações de pessoas contaminadas pelo vírus Sars-CoV-2. A partir dessa data o município adotou medidas, como o isolamento social, e apostou em regramentos determinados em 23 decretos municipais - inclusive de fechamento do comércio -, para enfrentar a pandemia. Dois meses depois da primeira confirmação, o município é identificado, pelo governo do Estado, como área de risco médio para a doença, criou uma rede de atendimento específico para possíveis casos, têm um dos mais altos índices de permanência dos moradores em casa, além de não ter registrado mortes.

A confirmação de uma idosa de 71 anos como a primeira moradora da cidade infectada pelo novo coronavírus revelou um trabalho que já havia sido iniciado em fevereiro, quase um mês antes do registro feito pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). As ações precursoras das medidas de enfrentamento à pandemia foram a capacitação das equipes de profissionais da saúde e a ampliação da rede de atendimentos de possíveis infectados, segundo a secretária municipal de Saúde, Roberta Pagnini. 

"Naquele momento a meta era organizar a rede de saúde para que todos, desde as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) até os hospitais cumprissem os protocolos de segurança determinados pelo Ministério da Saúde para evitar a contaminação cruzada, ou seja, o encontro de pacientes suspeitos para Covid com pacientes de outras doenças, além dos profissionais da saúde", relata Roberta.

Rede de Referência

A estratégia municipal tornou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal a porta de entrada dos casos do Sistema Único de Saúde (SUS) de pessoas com sintomas gripais e o Hospital Escola da UFPel a unidade de referência para hospitalização de adultos. Em pouco mais de um mês, foi criado o Centro de Atendimento a Síndromes Gripais, o Centro Covid - resultado da união de esforços do município, hospitais, universidades e da própria população, com atendimento preferencial às crianças. 

A prefeita Paula e Roberta, na inauguração do Centro Covid. Foto: Arquivo/Ascom

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A tecnologia foi outra aposta da SMS, com o serviço remoto feito por profissionais da saúde que fazem parte do grupo de risco e precisam manter o distanciamento social, como forma de evitar a procura em massa dos serviços de saúde. A Dra. Vida, um robô virtual capaz de determinar se o paciente deve ou não procurar ajuda presencial, e o Teleconsulta com mais de 400 atendimentos realizados do começo de abril até agora, são serviços novos, criados dentro do plano de enfrentamento à pandemia que "caíram" nas graças da população.

Identificar para agir

Até o dia 25 de maio, foram registrados 65 resultados positivos para o novo coronavírus, de um universo de cerca de 3.300 exames feitos, entre eles os testes rápidos aplicados pela pesquisa EPICovid realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para mapear a progressão da pandemia no estado. Até agora, 4 moradores do município, testados pelos pesquisadores, positivaram para Covid-19, todos assintomáticos.

A gestora da saúde municipal salienta o trabalho de monitoramento dos casos, inclusive dos pacientes internados, feito pela Vigilância Epidemiológica. "A cada novo caso nossos profissionais da epidemiologia realizam uma investigação minuciosa e ao mesmo tempo ágil, colocando os pacientes e seus contactantes em isolamento, cumprindo protocolo para evitar novos contágios", explica Roberta.

Isolamento para ampliar leitos

Com esses serviços implantados, o município tem hoje 58 leitos de enfermaria e 31 de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) específicos para casos Covid. Estrutura que contou com o isolamento social da comunidade para que evitar um possível colapso no atendimento. 

Pelotas, segundo monitoramento do governo do Estado e também de uma empresa nacional que trabalha com geolocalização de celulares, se mantém, desde o princípio da pandemia entre os municípios com os maiores índices de isolamento social. A média registrada na cidade é de 47% da população em isolamento, mesmo com o retorno gradual de muitas atividades econômicas. 

Defensora do isolamento social, a prefeita Paula Mascarenhas, comemora ao dizer que, ao manter o reduzido o fluxo de pessoas nas ruas da cidade e evitar aglomerações, Pelotas consegue permanecer entre as cidades gaúchas com maior número de pessoas em casa, realizando o distanciamento social controlado como forma de prevenção à doença e de ampliação e capacitação da rede de saúde.

 "Desde o primeiro caso de Covid registrado em Pelotas até o momento, nós trabalhamos muito, sempre seguindo o princípio da precaução. Instalamos o Centro Covid, começamos também a preparação do hospital de campanha, definimos em parceria com os hospitais fluxos de atendimento nas instituições hospitalares e temos, claro, acompanhado o crescimento dos casos, mas de forma controlada e sobretudo, com baixa hospitalização que é o que se quer - não pressionar a nossa rede de saúde", comemora Paula.

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Próximo passo

A promessa do Ministério da Saúde em enviar 20 novos respiradores, para leitos de UTI, está no radar de demandas urgentes do Município. A secretária de Saúde também salienta a conclusão do aparelhamento do hospital de campanha como prioridade, nos próximos dias. Os 156 leitos montados no Ginásio do Sesi precisam ser equipados para receberem possíveis pacientes, um investimento de cerca de R$ 400 mil.

"Hoje estamos em uma condição controlada porque fomos prevenidos. Chegamos a acreditar que, nesse período, estaríamos com um número bem maior de casos. Trabalhamos a prevenção, mas também depende das pessoas, que precisam manter o uso da máscara, o protocolo de higienização, o isolamento - depende de cada um de nós", conclui a secretária.

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