Visita guiada ao Cemitério da Santa Casa de Pelotas
A fotógrafa e especialista em Patrimônio Cultural, Luiza Carvalho, estará realizando visita guiada ao Cemitério da Santa Casa de Pelotas na próxima terça-feira (13). O encontro está marcado para as 16h, em frente ao portão central do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, na avenida Duque de Caxias.
A proposta de Luiza é apresentar o local como patrimônio histórico, cultural e artístico da cidade, visando à conscientização da população e a atenção de possíveis parceiros na conservação deste bem público. Luiza destaca que a intenção é elaborar um projeto de preservação e salva guarda do que ainda se tem em obras no cemitério.
No roteiro da visita, a especialista irá situar o cemitério na linha histórico-temporal, desde o seu surgimento a partir da trajetória dos cemitérios de Pelotas; apresentar o atual estado de conservação, diagnosticando problemas; destacar as principais obras artísticas do conjunto funerário, bem como as marmorarias e artistas responsáveis pelas mesmas, além da identificação de personalidades importantes para o desenvolvimento do município, que jazem no espaço.
A visita guiada é uma continuidade do trabalho desenvolvido por meio de levantamento histórico e registros fotográficos, que originaram a mostra Pelotas Necrópole, aberta à visitação até o dia 15 deste mês, na sala Frederico Trebbi, localizada no prédio do Grande Hotel.
O Cemitério da Santa Casa é o principal conjunto arquitetônico funerário da cidade de Pelotas. Fundado na segunda metade do século XIX, possibilitou que famílias importantes da sociedade pelotense enfatizassem valores através do diferencial de seus túmulos. Em meados do século XIX e XX, Pelotas possuiu marmorarias de atuação significante na região sul do estado, que traziam obras funerárias importadas da Europa e eram responsáveis pela colocação dos túmulos.
A Arte Funerária possui tipologias próprias, e hoje é resultado de uma época distante. Atualmente, os túmulos possuem design simplificado e padronizado, o que exclui a possibilidade de integração de novas obras escultóricas funerárias, atestando o valor das peças que resistem as gerações.
O acervo de esculturas funerárias de Pelotas se encontra esquecido, descaracterizado e passível de desaparecimento. O Campo Santo da Santa Casa significa um verdadeiro patrimônio histórico, cultural e artístico, guardião de memórias coletivas e particulares. O espaço requer a atenção e a divulgação de uma política educacional e de segurança, que evite a constante dilapidação de seus bens pela mão humana. Essa interferência, que desloca peças de seus locais originais, para espaços inusitados diminui cada vez mais o acervo: são adornos e esculturas mutilados, desaparecidos e pichados, de autoria por vezes reconhecida, mas não apurada.
A beleza da Arte Funerária de Pelotas reside em obras que ainda se encontram íntegras em meio às ruínas históricas da última morada daqueles que desenvolveram a cidade. Cidadãos ilustres, que hoje jazem na memória dos espaços públicos, que reclama uma atitude além da passividade perante o desaparecimento das peças do antigo Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas.
Os interessados em participar da visita devem entrar em contato com a diretoria de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), pelo telefone 3225 8355.