Trabalhadores discutem implantação do Centro Regional de Referência em Saúde

Por Divulgação 09-05-2002 | 00:00:00
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  Debate e propostas ao processo de implantação de políticas municipais de saúde do trabalhador e do Centro Regional de Referência à Saúde do Trabalhador foram os temas centrais analisados por representantes dos municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Pelotas ontem (9), durante a 1ª Conferência Microrregional de Saúde do Trabalhador. O encontro, realizado no auditório da Faculdade de Medicina da UFPel, foi preparatório para as Conferências de Saúde do Trabalhador nos âmbitos Regional, hoje e amanhã, e Estadual, de 23 a 26 deste mês.
  A concepção e operacionalidade do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador, tema da microrregião, foi apresentada pelo secretário municipal de Saúde e Bem Estar, Luiz Augusto Facchini. Como integrante das políticas de atenção integral à saúde do Trabalhador do Governo do Estado, o Centro propõe a descentralização, a regionalização e a integralidade das ações em saúde do trabalhador em um único serviço. Visa, igualmente, ações de assistência, vigilância, formação e capacitação dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde.
  Projetado para atender a população dos 29 municípios da Região Sul, calculada em pouco mais de 1 milhão de habitantes, a proposta é de localizar esta estrutura em Pelotas, que possuiu um terço desta população, isto é, 324 mil habitantes. O financiamento da obra poderá ser viabilizado pelo Governo do Estado, com aporte específico para a saúde do trabalhador, e de repasse do fundo estadual aos municípios.
  A expectativa do secretário é de que, partir de sua implantação, o Centro permita identificar a realidade de saúde da população trabalhadora, independentemente da forma de inserção no mercado e do vínculo trabalhista estabelecido. Facchini cita como exemplo os trabalhadores da economia informal, que em Pelotas chega próximo a 60% da força de trabalho. Estas pessoas chegam aos hospitais como doentes comuns e não como vítimas das condições de trabalho.
  Outra ferramenta a ser gerada pelo Centro será a possibilidade de intervenção nos determinantes de agravos à saúde da mão-de-obra, visando eliminá-los ou atenuá-los e controlá-los. Entre os casos mais comuns estão as lesões por processos repetitivos, gerados pelo uso da informática, e que atinge com mais freqüência a categoria dos bancários, e pelo uso de novas substâncias químicas, como agrotóxico, sílica e solventes. A atividade de reflorestamento também vem preocupando os profissionais de saúde da região, pois são constatadas perdas de dedos e mãos dos trabalhadores nesta área, incluindo crianças.

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