Sistema Municipal de Coleta Seletiva
No ano de 2025, de acordo com dados divulgados por analistas nos anos 80, Pelotas produziria 300 toneladas diárias de resíduos sólidos. A partir do ano 2000 a cidade passou a produzir esta quantidade de resíduos, indo contra todas as previsões e gerando preocupação em ambientalistas e comunidade em geral. De acordo com o secretário Municipal de Qualidade Ambiental (SQA), Alexandre Melo, as estimativas foram feitas sem que se imaginasse o crescimento na produção e consumo de materiais não biodegradáveis, principalmente as caixas longa vida, as garrafas pet, as sacolas plásticas, isopores e fraldas descartáveis. “A sociedade moderna se habituou aos facilitadores, e disparou seu poder e hábito de consumo, o que gerou um descarte grande de materiais que levam de séculos até milênios para finalizar sua decomposição.”, afirma o secretário. A administração municipal, até o ano 2000, tratava a coleta de resíduos sólidos da maneira tradicional, e sem lançar políticas no sentido da redução, reutilização e reciclagem. No ano de 2001, então, foi implantado o Sistema Municipal de Coleta Seletiva em Pelotas. O sistema consta de quatro projetos, voltados para a educação ambiental, a mudança de hábito da comunidade pelotense e para uma mudança significativa na qualidade da coleta do lixo. A coleta não só passaria a ser seletiva como traria a cidadãos desempregados uma forma de renda para o sustento de suas famílias. A idéia de cada um destes quatro projetos, conforme o secretário Melo, é conscientizar a sociedade para a responsabilidade de cada um na produção de resíduos sólidos, além de atuar efetivamente como política permanente de educação para a redução destes resíduos e também para reutilização e reciclagem. COLETA SOLIDÁRIA – Pioneiro dentre os projetos do Sistema, o Coleta Solidária gera renda hoje para 75 famílias. Estas famílias dependem diretamente da separação do lixo residencial e de órgãos públicos municipais. Funciona assim: a pessoa, em casa ou no trabalho, separa o lixo limpo (vidro, papel, plástico e metal) do lixo orgânico (papel higiênico usado, restos de alimento, animais mortos e baganas de cigarro, por exemplo); o charreteiro do Coleta Solidária vem e leva o lixo limpo. Sua renda depende da produção mensal, e é agregada a uma cesta básica e outro benefício: milho e ferradura para seu animal, além de manutenção periódica para sua charrete. Todo o lixo limpo é levado pelos charreteiros ao galpão do projeto. Lá, os triadores separam os materiais e os colocam em fardos para vender. Estes trabalhadores recebem salário fixo, além da cesta básica. São três os grupos gestores do projeto e todos, triadores e coletores, ganham auxílio de dois vales transporte por dia. Pelotas possui mais de mil condomínios residenciais, dos quais 80 estão envolvidos no projeto Coleta Solidária. O responsável pela administração do condomínio é contactado e uma equipe visita os apartamentos para entrega de folhetos explicativos, convocando os moradores a separarem seu lixo residencial. Depositado em latões, bombonas ou contentores identificados, o lixo orgânico é recolhido pela Prefeitura e vai para o aterro sanitário, enquanto que o limpo é recolhido pelos charreteiros e carroceiros do Coleta Solidária. LIXEIRAS ECOLÓGICAS PARA PEDESTRES (LEPPs) – Uma deficiência no município era um local para que os pedestres pudessem colocar seus resíduos de pequeno porte. Pequenas embalagens de doces, baganas de cigarro, restos de alimentos iam direto para o chão, na falta de local adequado. Outro problema detectado pelos técnicos da SQA foi que as poucas lixeiras para pedestres estavam mal localizadas e não educavam para a seletividade de lixo, visto que possuíam apenas um cesto. Hoje o projeto das LEPPs conta com mais de 420 lixeiras compostas por dois cestos com a identificação adequada (lixo limpo na cor verde, lixo orgânico na cor laranja). A meta, segundo Alexandre Melo, é instalar 3 mil LEPPs. “Estas lixeiras ecológicas buscam, além da limpeza da cidade, fixar na consciência dos pelotenses a seletividade do lixo e a importância desta prática. O lixo não é de responsabilidade única do Poder Público. Cada um é responsável pelo resíduo que produz.” COLETA CONTENTORIZADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS – No sentido de educar a sociedade para não só a separação do lixo como o cuidado com ele mesmo depois que este sai do âmbito das residências, foi implantada no município uma forma de contenção de resíduos que evita que sacolas deixadas em frente às casas e condomínios e levadas por chuvas eventuais provoquem alagamentos por entupimento de canais, evita também a proliferação de doenças e a poluição ambiental. Assim surgiram os Colipos (contentores de lixo limpo) e os Corgas (contentores de lixo orgânico). Atualmente existem 16 Colipos na cidade: 15 instalados no Laranjal e um nas Doquinhas. Todos os condomínios e loteamentos cujos projetos estejam em período de aprovação na Secretaria de Planejamento Urbano e SQA desde o ano 2001 já devem aderir ao projeto. A avaliação de Melo é de que sejam necessários cerca de 400 Contentores de Lixo Limpo em toda a cidade. ADOTE UMA ESCOLA – Neste projeto é programado nas escolas (junto aos diretores, professores e funcionários), um Plano de Gerenciamento de Resíduos que contemple duas lixeiras. Estas duas lixeiras devem ficar, juntas, em todas as salas da escola e em locais estratégicos da escola. A escola tem a responsabilidade de recolher seu lixo limpo. Os alunos e moradores dos arredores da instituição são incentivados a trazer seu resíduo limpo de casa. O material é recolhido semanalmente pela Prefeitura, que o leva até os galpões do Coleta Solidária para a triagem. A venda dos resíduos, triados e prensados, se reverte para a escola, que deverá aplicar a verba em ações e projetos de educação ambiental. Entre públicos e privados, Pelotas tem em torno de 250 estabelecimentos de ensino, dos quais cerca de 40 participam do projeto Adote uma Escola. “Os projetos do Sistema Municipal de Coleta Seletiva não fica resumido na seletividade de resíduos sólidos e em seu conseqüente benefício ao meio ambiente e na inclusão social. Os projetos devem provocar reflexão sobre a finitude dos bens naturais. Além disso, o problema do lixo abrange desde questões de saúde pública até de economia.”, finaliza Melo.