Secult promove oficina de conservação de papel para funcionários e bolsistas
  Funcionários do Museu da Baronesa, da Bibliotheca Pública Pelotense e do Arquivo Público Municipal assistiram ontem (10) a uma oficina de conservação de papel, ministrada pela restauradora de livros Silvana Cunha Soares, do Centro Histórico da Santa Casa de Porto Alegre. A oficina, promovida pela Secretaria de Cultura (Secult), através do Museu da Baronesa, teve duração de 8h.   A restauradora Silvana, formada pela tradicional Escola Arte do Livro, considerou que a maior dificuldade encontrada no sentido de se manter os documentos históricos bem conservados (sejam eles livros, certidões e até fotografias e cartas) é a falta de recursos humanos e financeiros. O trabalho de recuperação e até de prevenção de danos em documentos de papel necessita de tempo, instalações e materiais adequados e de pessoas qualificadas para o processo. “O que tentamos fazer é adequar as necessidades aos recursos disponíveis, substituindo materiais caros por outros mais baratos e acessíveis”, completa a especialista.   De acordo com a coordenadora do Museu da Baronesa, Carla Gastaud, o interesse da Prefeitura neste curso é o de qualificar seus funcionários para a conservação de documentos, estes muitas vezes de valor histórico inestimável e insubstituível. “Alguns livros, raros ou muito antigos, estão se deteriorando por causa da umidade, do uso inadequado ou do manuseio constante e do armazenamento precário. Muitos documentos, datados do século retrasado, estão perdidos”. De acordo com Carla, o uso de “recuperações caseiras”, como é o caso das fitas adesivas, é uma das mais comuns causas da deterioração de livros, cartas, certidões e fotografias.   Uma das maiores preocupações dos especialistas em recuperação de documentos históricos é com a preservação de seu valor. As marcas do tempo, a ação das pessoas que o manusearam e até mesmo provas de eventuais acidentes (incêndios, enchentes, etc) são preservadas quando se recupera ou restaura um documento, com o objetivo de se manter a carga histórica que este carrega. A marca da interferência dos restauradores também deve ficar visível.   É com a preocupação de dotar aqueles que trabalham com documentos históricos, como é o caso de alguns alunos do curso de História da UFPel, com os métodos específicos para a prevenção e recuperação destes materiais que a Secult promoveu esta oficina. “Restaurar é a pior hipótese para um documento. A melhor técnica é mesmo intervir para que este não se degrade”, finaliza Carla.