Atividade, na noite do dia 30 de junho, marcou a abertura do Julho das Pretas 2026

Roda de conversa destaca luta das mulheres negras por visibilidade e reconhecimento

Atividade, na noite do dia 30 de junho, marcou a abertura do Julho das Pretas 2026

Por Daniel Silveira 02-07-2026 | 13:54:53
Tags: Visibilidade , Destaque , Julho das Pretas

Diferentes trajetórias com muitas histórias de luta e conquistas foram reveladas durante a roda de conversa de abertura do Julho das Pretas 2026, na noite de terça-feira (30).

A atividade, conduzida pela vice-prefeita de Pelotas, Daniela Brizolara, foi uma ação de abertura do calendário de atividades proposta pela Secretaria de Igualdade Racial e a Casa da Igualdade Racial dentro da programação. Ao lado de quatro convidadas que atuam em diferentes segmentos na cidade, Daniela formou uma mesa repleta de relatos sobre os desafios que as mulheres negras enfrentam em seu dia a dia.

As falas giraram em torno de temas como família, vida acadêmica e profissional, valorização e o combate ao silenciamento e apagamento aos quais as mulheres negras são submetidas frequentemente na sociedade.    

Integraram a mesa com a vice-prefeita a liderança comunitária das Doquinhas Gilda Maria Macedo Alves; a artesã e servidora municipal Lucélia Silva; a advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Pelotas, Sinara Ferreira; e a produtora cultural e trancista Stéphane Silva.  

Uma das fundadoras do Instituto Hélio d’Angola, Gilda Alves foi a primeira a falar entre as convidadas. Ela lembrou de sua própria caminhada, a criação dos filhos e as experiências de vida que a levaram a se tornar uma ativista. “Hoje eu me imponho. Tem uma frase que eu uso: respeita a minha história. Hoje eu tenho orgulho, porque sou uma pessoa que lutou para estar onde chegou. Eu mostrei a eles que a Gilda, que foi faxineira e educou seus filhos, todos formados, está aí, muito feliz”, contou.

A advogada Sinara Ferreira enfatizou a importância de haver mulheres negras como a vice-prefeita, ocupando espaços e se tornando referência. “Lembrei o quanto é difícil a gente ocupar esses lugares e o quanto isso pesa no final do dia”, disse. Para ela, é importante reconhecer a posição que ocupa e fazer com que sua atuação ajude a melhorar a vida de outras pessoas.

Criadora da marca Negraluart e formada em Artes Visuais pela UFPel, Lucélia Silva destacou os obstáculos causados pela invisibilização das mulheres negras e pelo racismo. Ela destacou que em sua jornada como acadêmica, artista e servidora pública, busca mostrar a relevância de seu trabalho para a população. “O sonho que me move é o de uma cidade melhor, onde as pessoas que vierem depois não precisem mais passar pelas violências que a gente passa, através do racismo, da violência contra a mulher e do apagamento como pessoa.” 

Imagens - Volmer Perez/Secom

A poeta e produtora do Slam das Minas Pelotas Stéphane Silva, frisou a importância de haver mais mulheres, com diferentes representações, como porta-vozes e o papel que a arte ocupou em sua vida. “Tento trazer através da escrita um pouco do que vivi ao longo desses anos. A escrita e a literatura me salvaram e salvam todos os dias, como uma criança negra, que veio da periferia, que não tinha acesso a quase nada. Isso me salvou e me cura, assim como cura outras crianças.”

Discussão importante para uma cidade antirracista, aponta vice-prefeita

Para o titular da Smir e coordenador da Casa da Igualdade Racial, secretário Júlio Domingues, o Julho das Pretas de 2026 iniciou da melhor forma possível. 

Tivemos várias questões importantes abordadas, sob a perspectiva de combate ao racismo e, ainda muitos momentos emocionantes devido à história das convidadas e da própria vice-prefeita, por conta de tudo que elas representam na luta antirracista em nossa cidade”, avaliou.

A secretária de Políticas para as Mulheres, Marielda Medeiros, considerou que o principal mérito do encontro foi a escuta dos testemunhos apresentados. 

Precisamos parar para ouvir essas pessoas e, a partir do que elas dizem, extrair o que podemos potencializar enquanto Poder Público”, declarou.

Segundo Marielda, apesar da particularidade de cada experiência apresentada pelas convidadas, em algum ponto dos relatos as histórias delas se cruzam com a das demais mulheres negras. 

Para Daniela Brizolara, o momento foi importante para que discutir a construção de uma cidade que seja realmente antirracista. 

Quando ela cumpre ou busca cumprir esse papel, é esta a cidade que a gente quer”, comentou. 

Como exemplo, a vice-prefeita lembrou de reunião em que ela e Marielda Medeiros estiveram com representantes do Sebrae e do Ministério do Empreendedorismo para discutir políticas públicas para a geração de emprego e renda para as mulheres da cidade. 

Temos o compromisso de buscarmos uma mudança concreta para a vida dessas mulheres, artesãs, mulheres que nem sabem ainda que são empreendedoras, mas que já são”.

Imagens - Volmer Perez/Secom

A segunda edição do Julho das Pretas prossegue com atividades até o dia 28 de julho. Confira a programação a seguir:

01/07

17h às 20h - Projeto Cepranti/UFPel: Cine Experiência + Brechó das Pretas, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro)

04/07

14h às 16h30 - Caminhadas Ancestrais, no Passo dos Negros (concentração em frente ao Campo do Osório)

05/07

14h às 17h - Matriarcado e Resistência: O Papel Político e Espiritual das Lideranças Negras nos Terreiros, na Av. Guanabara, 348, Laranjal - Balneário dos Prazeres

07/07

14h30 às 17h - POEVIVÊNCIAS: escrita criativa e contação de histórias, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro)

08/07

17h às 20h - Projeto Cepranti/UFPel: Transmissão da palestra online com Bárbara Carine, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro)

09/07

10h às 11h45 - 2° Fórum de Economia Solidária e Empreendedorismo Étnico do NEABI CAVG, no auditório Enilda Feistauer - IFSUL Campus Pelotas (Praça 20 de Setembro, 455, Centro)

10h às 17h30 - 3° Feira de Empreendedorismo Étnico do NEABI CAVG, no auditório Enilda Feistauer - IFSUL Campus Pelotas (Praça 20 de Setembro, 455, Centro)

10/07

17h às 21h - Vivência de Mulheres Negras na Cultura e na Comunidade: Roda de Conversa da Associação Amigos do Fragata e Escola de Samba Unidos do Fragata, Av. Duque de Caxias, 869 (Associação Amigos do Fragata)

18h às 19h30 - Exposição do Projeto Figurino da Dança dos Orixás - CAVG, NEABI Francisco Carrucio e Grupo de Dança Corpo Afro, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro)

11/07

15h às 18h30 - Alicerce: Mulheres, Educação e Movimento Social Negro, na Rua Quinze de Novembro, 262, Centro

12/07

11h30 às 18h - Associação de Mulheres Empreendedoras Negras: Encontro cuidativo e de reflexões sobre a Saúde Mental da população Negra, roda de conversa e Mesa Lei Leonardo, na Casa de Jorge

14h às 20h - Varal Pensamento Crítico de Mulheres Negras, na UCPel

14h às 17h30 - Germinário dos Agentes de Promoção da Igualdade Racial do Povo de Terreiro da Região Sul, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro), das 14h às 17h30min.

13/07

8h às 17h - ERER/SME: Mostra e socialização das produções desenvolvidas pelas crianças e estudantes: "Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios", nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas

14/07

8h às 17h - ERER/SME: Mostra e socialização das produções desenvolvidas pelas crianças e estudantes: "Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios", nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas

15/07

17h às 20h - Projeto Cepranti/UFPel: Roda de conversa "Entre nós" com a Psicóloga Bruna Duarte, na Casa da Igualdade Racial

8h às 17h - ERER/SME: Mostra e socialização das produções desenvolvidas pelas crianças e estudantes: "Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios", nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas

16/07

8h às 17h - ERER/SME: Mostra e socialização das produções desenvolvidas pelas crianças e estudantes: "Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios", nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas

17/07

8h às 17h - ERER/SME: Mostra e socialização das produções desenvolvidas pelas crianças e estudantes: "Mulheres Negras que constroem a história dos nossos territórios", nas Escolas da Rede Municipal de Ensino de Pelotas

13h30 às 16h - Exposição dialogada com fotos “Racismo no cotidiano”. Produção de alunas de graduação da Pedagogia, no Museu do Doce

18/07

12h às 18h - Mulheres Negras Transformam, no Bloco do Mapa

14h30 às 17h30 - Coletividades em Confluência: Literaturas e Oralituras de Mulheres Negras, no Espaço de Arte Popular (EAP), Encontro de Saberes (Rua Benjamin Constant, 1071)

19/07

14h às 17h - Vozes Pretas no Topo: Formação Profissional e a Conquista dos Espaços de Decisão Política e Comunitária, na Casa da Igualdade Racial

21/07

18h às 20h - Roda de Conversa “Mulheres Negras e Autocuidado”, da SMIR e CIR, na Casa da Igualdade Racial (Rua Tiradentes, 2963, Centro)

22/07

17h às 20h - Projeto Cepranti/UFPel: Salão de Jogos Antirracistas + oficina de fanzine das intelectuais negras, na Casa da Igualdade Racial

24/07

9h às 18h30 - Femeni: Feira Preta - de Ganhadeiras a Empreendedoras do Sul, no Mercado Público

13h30 às 16h - Exposição dialogada com fotos “Racismo no cotidiano”, produção de alunas de graduação da Pedagogia, no Museu do Doce

25/07

Dia todo - DIREITO DELAS: Mostra de Serviços e Roda de Conversa com Mulheres de Axé promovida pela SMPM e CMPTERPEL, na Praça Coronel Pedro Osório

11h às 13h - II Marcha Regional das Mulheres Negras, no Mercado Público e entorno da Praça Coronel Pedro Osório

12h - Almoço especial do Dia da Mulher Negra, no Kilombo Urbano (rua Benjamin Constant, 1327)

20h -Troféu Dandara, no Clube Fica Ahí (rua Marechal Deodoro, 368)

26/07

12h às 16h - Almoço das Ọbabìnrin: Vivências de mulheres negras em espaços de mobilização social, na Afrika Brazil (Rua Vidal de Negreiros, 342, Fragata)

28/07

18h30 às 21h - SANKOFA: Nossas Raízes, Nossas Regras: Rodadas Pretas por Direitos Sexuais, Justiça Reprodutiva e Bem Viver, na Casa da Igualdade Racial

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