Programa de Redução de Danos eficaz na redução de casos de AIDS
  A secretaria Municipal da Saúde, através do Programa de Redução de Danos (PRD), está identificando usuários de drogas, e desenvolvendo um trabalho de acompanhamento e conscientização sobre as várias doenças a que eles estão propensos a adquirir. O programa, implantado no ano passado em Pelotas, tem o financiamento do Ministério da Saúde com a contrapartida do município.   O trabalho é desenvolvido em dois pontos da cidade, no Bairro Navegantes, que engloba também Navegantes II e III, além dos bairros Fátima e Dunas, juntamente com o Vasco Pires e Balsa. Estes locais são inicialmente visitados pelos agentes redutores de danos, que são profissionais capacitados através de diversos treinamentos em instituições renomadas na área de saúde pública.   O treinamento é sistemático e provém de experiências como as desenvolvidas na Escola de Saúde Pública de Porto Alegre, no Programa de Redução de Danos de Rio Grande, além dos profissionais da área de saúde e educação da UFPel e da SMSBE. “Além disso, todo trabalho é embasado nas diretrizes de saúde do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde”, explica o secretário de Saúde, Luiz Augusto Facchini.   No início do trabalho foi realizado um processo de reconhecimento dos usuários e estabelecida uma relação de confiança onde a equipe procura trabalhar aspectos psicológicos capazes de interferir no processo da doença. “O usuário de droga, por ser resistente a órgãos públicos necessita principalmente que se estabeleça uma relação de confiança”, explica Facchini.   Estabelecido este primeiro passo é fornecido ao usuário o material para uso limpo, ou seja, uso individual (não compartilhado), já que este impede a contaminação pelo vírus HIV e pelos vírus da hepatite B e C. Do início do programa até agora, já foram distribuídos mais de 12 mil kits, compostos de duas seringas, duas agulhas descartáveis, lenço umedecido para limpeza do ferimento, água destilada, copo para diluição, preservativos e material educativo para conscientização dos riscos do uso de drogas. “É importante salientar que cada material destes tem uma função, eles não são escolhidos aleatoriamente”, alerta o secretário. Ele informa que é de conhecimento das equipes que trabalham com os grupos, que os usuários de drogas não tendo um destes equipamentos, correm o risco de se infectarem com o vírus do HIV.   Alguns usuários manifestaram a necessidade de anexar ao kit um canudo para droga aspirada, mas segundo o secretário municipal de saúde, ainda está sendo avaliada esta possibilidade. “É importante frisar que o principal objetivo do programa é reduzir a incidência de contaminação destes vírus, ampliando a vida”, enfatiza Facchini. Segundo ele é necessário lembrar que agir diante dessa realidade é atenuar riscos de modo científico, informado, protegendo pessoas que já acumulam riscos relacionados à dependência de drogas.   Prova disso são os resultados do programa até agora, segundo informa Facchini, até dois anos atrás 25% dos infectados com o vírus da AIDS eram usuários de drogas injetáveis, após a implementação dos programas de redução de danos este percentual caiu para 14%.   O PRD é uma ação focal que busca resgatar usuários de drogas para uma nova perspectiva de vida, reforçando a auto-estima dos indivíduos e estimulando o apoio psicossocial para a superação da dependência química, complementa o secretário. Neste sentido o município credenciou junto ao Ministério da Saúde um CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) para tratamento de dependência de álcool e drogas, que iniciará suas atividades no início de 2003.