Prefeito abre o Congresso da Cidade
  “O desequilíbrio e a desigualdade social fazem parte do complexo cenário urbano deste século. As sociedades vivem atualmente em um momento onde não conseguem se encaixar na perspectiva de futuro que todos temos. Hoje demos um passo de muita importância para o futuro de Pelotas. O Congresso é um esforço democrático em direção ao direito à cidade, em direção à realidade de Pelotas como uma cidade sustentável. Fico satisfeito em poder ver a participação de vários setores da sociedade reunidos em favor de uma Pelotas com inclusão social e desenvolvimento econômico.”, assim deu início ao Congresso da Cidade o prefeito Fernando Marroni. O evento, realizado no Clube Caixeiral, contou com presenças de representantes tanto de cidades gaúchas e brasileiras, como de municípios do Uruguai e da Argentina.   Do ato de abertura do Congresso fizeram parte , além do prefeito e do secretário de Planejamento Urbano, Antônio Soler, a deputada estadual Cecília Hipólito, o presidente da CEPA/FLACAM, Rubén Pesci, a representante do Centro de Estudos Ambientais (CEA), Simara Machado, o presidente do Conselho do Plano Diretor, Vitório Ardizzoni, José Luiz Esteves, do Conselho Internacional de Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI), o secretário adjunto da Secretaria Estadual do Interior, João Carlos Cousin e o Dr. Francesco di Castri.   Após a solenidade de lançamento do evento, Di Castri ministrou a primeira conferência do Congresso: Viver a transição pós-industrial: O papel da cidade na busca da informação. “Passar de uma sociedade industrial para uma sociedade da informação é duro e trágico, pois se perdem muitos postos de trabalho. Para resolver este problema não se pode fazer essa transição dentro da cidade simplesmente. Devem ser criadas novas conexões com os espaços rurais e com todo o território do município, controlando, inclusive, o fluxo de abandono rural rumo à cidade.”, afirma Di Castri.   Para ele, a grande maioria dos povos não se sente como parte do futuro. Isto, enfatiza o Dr., não está ligado apenas à questão urbanística. “Se as pessoas não encontram postos de trabalho, não há solução”, diz. A sociedade da informação, de acordo com Di Castri, pode criar trabalho, oportunidades à toda gente. O secretário Soler concorda, dizendo que a cidade só cresce quando o cidadão cresce: “Como viver a democracia se dentro das cidades existem duas realidades em choque? Não há sociedade que se desenvolva com exclusão e falta de trabalho e perspectivas”. Di Castri é veemente, afirmando que é urgente que se tome a frente de ações políticas no sentido de integrar a cidade ao campo, de integrar a cidade aos seus vizinhos. “Não há possibilidade de o mundo funcionar com as cidades cheias e o campo vazio. Somente o desenvolvimento dos municípios também não funciona. O trabalho por si só não gera nada, a não ser que se tenha idéias e rumos, a não ser que se planeje e construa um futuro para os cidadãos”.