População faz vigília para assegurar lugar no Carnaval 2026
Foliões começaram a chegar na quarta-feira (4) no Largo do Mercado para comprar camarotes e mesas. Vendas começam às 9h desta sexta-feira (6)
Quarta-feira (4), por volta das 13h, mais de 30 graus.
Faltavam quase 48 horas para abrir a venda dos camarotes e mesas para o Carnaval 2026 quando Uéslei Castro, 26 anos, filho do diretor de bateria da Escola de Samba General Telles, Ari Castro, 48, chegava no Largo do Mercado Central para assegurar um dos 20 camarotes disponíveis no Carnaval 2026 na passarela do samba. Uéslei foi o primeiro. Mas não o único. Depois dele, mais gente chegou com o mesmo objetivo. Resultado: a depender das pessoas que encararam o sol, o calor, a madrugada desta quinta-feira (5) e vão enfrentar a de sexta (6) no local apenas para garantir camarote e mesas, a folia pelotense, que este ano volta a ser organizada pela Prefeitura, e na data oficial do País, entre 14 e 17 deste mês, sinaliza que será um sucesso.
Márcia Dias, costureira e percussionista da escola de samba General Telles, com a mãe, Zeli, ex-baiana da escola, e uma das filhas, Taciane, no alto, aguardam desde quarta-feira a abertura da venda dos camarotes e mesas no Mercado Central para o Carnaval 2026 (Fotos: Manuela Santos/Secom)
A venda dos camarotes e mesas começa às 9h desta sexta-feira no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), banca 45 do Mercado. Os valores são R$ 1 mil (para dez pessoas para as quatro noites), R$ 250,00 (mesa coberta para quatro pessoas para as quatro noites) e R$ 180,00 (mesa não coberta para quatro pessoas para as quatro noites). Em todas as modalidades só será permitida a venda de uma unidade por CPF.
O acesso ao setor de arquibancada será por meio de doação de um quilo de alimento não perecível. A distribuição de senhas também será a partir das 9h desta sexta-feira (6) na banca 16 (esquina da praça 7 de Julho, pela rua XV de Novembro), em troca de um quilo de alimento não perecível para cada noite da programação - quatro quilos para as quatro noites. Não serão aceitas doações de sal e de alimentos com prazo de validade vencido. Crianças até 12 anos não pagam.
Não é sacrifício
Para Ari, o esforço do filho vale a pena. O camarote para as dez pessoas da família está garantido - e a R$ 100,00 por cabeça para as quatro noites. Também por isso valeu o empenho. “Está muito bom o preço este ano, era R$ 2,5 mil o ano passado, baixou bem”. Para ele, este é outro indicativo de que o Carnaval 2026 tem tudo para dar certo. “Vai ser um ótimo Carnaval, as escolas estão fazendo de tudo, a passarela está ficando bonita e é ótimo que o Carnaval volte a ser realizado no verão, já estávamos cansado disso”, desabafa - lembrando que em 2024 a data chegou a ser alterada três vezes. “É muito complicado fazer Carnaval assim”, justifica. O acesso à arquibancada mediante doação de um quilo de alimento não perecível também mereceu elogio: “É a primeira vez que acontece, isso é pensar no povo carnavalesco.”
Daniela da Silva Flores, 41 anos, começou a vigília em busca do seu camarote sob o intenso calor das 14h30 de quarta-feira (4). Na manhã desta quinta,ela aguardava pacientemente a abertura da banca para a venda de camarotes e mesas - dali a 22 horas. Sob o guarda-sol que não esqueceu de levar de casa, e depois de uma madrugada em cadeira de praia que teve direito a churrasco e batucada, a dona de casa garantiu: “Não é sacrifício.” Para ela, não tem sol nem cansaço em nome do Carnaval. “Carnaval é tudo para nós, por isso cheguei cedo, e Pelotas é uma cidade carnavalesca, a gente já estava merecendo um carnaval na data [que o Carnaval é realizado no País] há muito tempo”, afirmou.
A torcida da Telles é maioria entre os que chegaram mais cedo em busca de mesas e camarotes. Além do diretor de bateria Ari Castro, a costureira e percussionista da escola, Márcia Dias, chegou na quarta-feira ao Largo do Mercado para que seus familiares e amigos (até agora seis) a vejam desfilar na bateria da escola do seu coração, onde toca cuíca. “O Carnaval é uma resistência nossa, tem que continuar, e é por isso que a gente está por aqui”, afirmou ela ao lado da mãe, a aposentada Zeli Dias, ex-baiana da escola durante mais de 20 anos, e das filhas Tainara e Taciane, respectivamente princesa e madrinha da General Telles.