Equipamento público do Ministério da Igualdade Racial é o primeiro na região sul do Brasil. A solenidade contou com a presença da ministra Rachel Barros e com o prefeito Fernando Marroni

Pelotas ganha a terceira Casa da Igualdade Racial do País

Equipamento público do Ministério da Igualdade Racial é o primeiro na região sul do Brasil. A solenidade contou com a presença da ministra Rachel Barros e com o prefeito Fernando Marroni

Por Roberto Ribeiro 30-04-2026 | 16:46:23
Tags: Racismo , Igualdade racial , Acolhimento

Primeiro, Rio de Janeiro. Depois, Fortaleza. Agora é a vez de Pelotas se juntar às duas capitais e inaugurar sua Casa da Igualdade Racial, equipamento público concebido pelo Ministério da Igualdade Racial a fim de promover políticas públicas à população negra e comunidades tradicionais. A inauguração ocorreu na manhã desta quinta-feira (30), no mesmo endereço onde funciona a Secretaria Municipal de Igualdade Racial (Smir) - rua Tiradentes 2.963, área central. 

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, entre a deputada federal Denise Pessoa e o prefeito Fernando Marroni, durante coletiva de imprensa na inauguração da Casa da Igualdade Racial, na manhã desta quinta-feira (30) (Fotos: Volmer Perez/Secom)

A solenidade de abertura do espaço, o primeiro na região sul do Brasil, teve direito à música, canto, dança e poesia com o grupo pelotense Ojuobá Cantos Sagrados e Populares, que trabalha com temas típicos da religião de matriz africana. Participaram do evento a ministra Rachel Barros, o prefeito Fernando Marroni, a vice Daniela Brizolara, o secretário de Gestão do Sistema Nacional de Igualdade Racial (Senapir), Clédisson Júnior, o secretário municipal de Igualdade Racial, Júlio Domingues, o presidente da Câmara de Vereadores, Michel Promove, a deputada federal Denise Pessoa e a deputada estadual Laura Sito, entre outras autoridades. A inauguração contou também com desenlace de fita na abertura da agenda e terminou com descerramento de placa.

A ministra agradeceu a recepção que considerou calorosa, defendeu a agenda do governo federal na promoção de dignidade às camadas que mais precisam de políticas e serviços públicos no Brasil e reforçou a alegria e o orgulho de Pelotas receber a terceira Casa da Igualdade Racial no país, a primeira dos três estados da região Sul.

A ministra Rachel Barros e o secretário de Igualdade Racial, Júlio Domingues, com a deputada estadual Laura Sito, a vice-prefeita Daniela Brizolara e o prefeito Fernando Marroni, descerram a placa no ato de encerramento da cerimônia de inauguração da Casa de Igualdade Racial de Pelotas, a terceira do Brasil 
Aqui a gente vai promover atendimento adequado à população negra, aqui vai ser a casa de acolhimento a uma população que durante séculos no Brasil teve as portas fechadas, aqui a gente escancara que a igualdade racial tem uma casa para promover dignidade de direitos”, disse Rachel. 

O prefeito Fernando Marroni, que inaugurou na história administrativa da gestão municipal uma pasta voltada à promoção de igualdade racial em Pelotas, destacou na cerimônia que a criação da Secretaria representou, mais uma vez em sua trajetória política, o enfrentamento de temas em favor da parcela da população que não tem visibilidade e sofre discriminações de toda ordem. 

Inauguramos a primeira Secretaria da Mulher do Estado, a primeira Secretaria da Igualdade Racial do Estado e isto não é nenhuma concessão, é fruto da luta do povo negro excluído desta cidade, que junto conosco enfrentou a extrema-direita no município e assumiu o compromisso de que não era só no período eleitoral que estaríamos juntos, esta Casa é uma conquista coletiva do povo negro de Pelotas e região, porque será um espaço regional, vamos enfrentar este tema na Zona Sul, não apenas nos limites do nosso município”, afirmou Marroni.
Dançarina do grupo Ojuobá se apresenta na solenidade de abertura da Casa da Igualdade Racial, localizada na rua Tiradentes, entre General Osório e Marechal Deodoro. Espaço começa a funcionar segunda-feira (4) a partir das 8h

Bastante aclamada, e visivelmente emocionada, Daniela Brizolara quebrou o protocolo. Com o violão em mãos para puxar os cantos da apresentação do Ojuobá na cerimônia, a vice-prefeita agradeceu o convite feito ao grupo, idealizado por ela e Dena Vargas como forma de combater a intolerância e o racismo religioso por meio da arte, e disse que encara a música como um presente da espiritualidade. 

Desejo que a nossa música chegue aos orixás e aos guias de luz para abençoar esta Casa, para trazer axé e também para abençoar todas as pessoas que se envolveram neste sonho - realizado não apenas concretamente, mas no que representa para Pelotas e para nosso povo, que sempre foi carente de oportunidades”, disse a vice-prefeita. 

Responsável por abrir as falas das autoridades, o secretário de Igualdade Racial, Julio Domingues, reiterou a importância da presença negra em Pelotas, agradeceu o empenho e a contribuição de todas secretarias municipais e destacou a luta do povo negro na cidade, que atravessa gerações, para a efetivação do espaço. 

Existe a Pelotas oficial, das solenidades, que tem boa memória de um passado que foi supostamente rico, e o doce é português, mas a Pelotas real é a Pelotas negra, em que a população preta enfrenta dificuldades objetivas e sofre racismo - para enfrentar essas dificuldades e auxiliar as lutas que já existem que este espaço estará aberto”, assegurou Domingues.

COMO ACESSAR 

A Casa da Igualdade Racial estará à disposição da população nos turnos da manhã e tarde, das 8h às 17h. O atendimento está previsto para iniciar segunda-feira (4), no local. Contatos podem ser feitos pelo telefone 3199-0035 ou em mensagens pelo whatsapp (53) 99141-1026. 

A estrutura contará com equipe técnica formada por profissionais das áreas da saúde mental, Assistência Social e Direito, além do apoio administrativo, e computadores adquiridos graças a um acordo de cooperação com o Ministério das Comunicações. 

A CASA 

A Casa da Igualdade Racial foi instituída em 2025 pelo governo federal pelo decreto 12.514. Ele estabelece a criação desses equipamentos como estruturas permanentes de enfrentamento ao racismo, promoção de direitos e fortalecimento da população negra no país. 

Assim como no Rio e em Fortaleza, em Pelotas vai oferecer orientação jurídica e apoio psicossocial a vítimas de racismo, além de encaminhar demandas para serviços de saúde, educação, assistência social, direitos humanos e cultura, em articulação com o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

As ações estão organizadas em cinco eixos principais: Justiça Racial (apoio jurídico, social e psicológico para vítimas de discriminação e crimes raciais); Inclusão Produtiva (iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional, com foco na inclusão de jovens e mulheres negras); Cultura e Educação (atividades educativas e culturais baseadas em referenciais e saberes afro-brasileiros); Fortalecimento Comunitário (espaço de convivência e diálogo para fortalecer vínculos sociais e comunitários; Articulação e Pactuação (parcerias e integração com instituições públicas e redes de atendimento).

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