Patrimônio une pesquisa e preservação do acervo

Por Divulgação 02-07-2002 | 00:00:00
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Até sábado(7), a comunidade poderá visitar o material resultante das escavações do Casarão nº 8 feitas pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia do Instituto de Ciências Humanas da UFPel. Aberta à visitação, das 8 às 12 h e das 14 às 18h, a mostra integra a programação alusiva ao Abrace Pelotas, que comemora os 190 anos do município.
Com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto coordenado pelo arqueólogo Fábio Vergara Cerqueira constitui um estudo de arqueologia urbana das residências oitocentistas dos entornos da Praça Coronel Pedro Osório que se encontram em processo de restauração. As escavações e pesquisas vêm sendo desenvolvidas pela equipe do Laboratório com a participação dos estudantes.
O material exposto vêm das escavações realizadas nos porões e pátio do Casarão 8, desde março deste ano, visando ilustrar à população os tipos de achados encontrados. Os objetos, sob guarda do Laboratório, estão em fase preliminar de análise: limpeza, secagem, classificação por natureza do material ( louça, cerâmica, vidro, metal, osso e outros) e acondicionamento. Várias etapas de pesquisa precisarão ainda ser realizadas.
“Fragmentos de louça, cerâmica, objetos de vidro, metal, ossos são vestígios da intimidade, do dia-a-dia, de hábitos alimentares, de cuidados com o corpo e com a saúde, de valores estéticos, de referências culturais, do poder aquisitivo”, justifica o pesquisador Fábio Cerqueira. Além da vida privada, os vestígios revelam também aspectos do conjunto da sociedade bem como inserção da cidade no mercado internacional de circulação de mercadorias.
Entre os fragmentos de ossos encontrados é expressivo o número de joelhos de rês furados para retirar o tutano, o que pode sugerir o mocotó como um dos tipos de alimentação da época. Segundo Cerqueira, pesquisas recentes feitas na fronteira apontam que a comida típica dos fazendeiros não era o churrasco, mas sim o mocotó, prato atribuído aos peões.
A pesquisa arqueológica terá duas etapas distintas: atividade de campo e posterior análise em laboratório. Na Casa 8, pondera o professor, o trabalho de campo constitui-se em uma atividade de salvamento arqueológico, adequando o método ao ritmo acelerado da obra. “Acompanhamos os trabalhos de restauro, executados pelos operários nos pátios, porões e calçadas. Nas demais casas, as escavações serão realizadas com mais calma, permitindo o emprego de metodologia mais acurada e pacienciosa”.

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