Atividade reuniu profissionais da Rede de Atenção Psicossocial e representantes dos Ministérios da Saúde e da Igualdade Racial para discutir o atendimento à população negra

Oficina promove diálogo sobre saúde mental antirracista em Pelotas

Atividade reuniu profissionais da Rede de Atenção Psicossocial e representantes dos Ministérios da Saúde e da Igualdade Racial para discutir o atendimento à população negra

Por Marisa Campos 20-08-2026 | 15:43:28
Tags: Oficina , Saúde Mental , Antirracista

Na quarta-feira (19), Pelotas recebeu a oficina sobre saúde mental antirracista, uma iniciativa de articulação entre a Casa da Igualdade Racial de Pelotas e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS, da Saúde de Saúde. A atividade foi promovida pelo Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (Desmad/SAES/MS), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR).

A oficina teve como objetivo promover o diálogo técnico e territorial entre a Casa da Igualdade Racial e a RAPS de Pelotas, qualificando o acolhimento, a identificação de riscos, os encaminhamentos, a contrarreferência e o cuidado compartilhado. A programação foi dividida em dois momentos, realizados no auditório da FAMED/UFPel e na Casa da Igualdade Racial.

Formação aborda racismo e saúde mental

Durante a manhã, o secretário municipal de Igualdade Racial e coordenador da Casa da Igualdade Racial, Júlio Domingues, realizou uma apresentação sobre o trabalho desenvolvido pela Casa. Na sequência, o coordenador de Ações Governamentais da Secretaria Executiva do Ministério da Igualdade Racial, Pedro Alves, participou da apresentação sobre a CIR na oficina.

A coordenadora da RAPS em Pelotas, Luciane Kantorski, apresentou a organização da rede e as ações desenvolvidas no município. Encerrando a programação da manhã, o psicólogo e servidor do Desmad, Henrique Galrão, conduziu a discussão sobre racismo e saúde mental no Brasil, abordando aspectos históricos e a relação entre as duas temáticas.

A atividade contou com a participação de profissionais, estudantes e representantes dos serviços que integram a rede de atenção psicossocial do município.

Para Luciane Kantorski, a oficina representa uma oportunidade de fortalecer a atuação dos profissionais de saúde na identificação de situações de racismo e injúria racial nos serviços, além de ampliar a articulação entre a RAPS e a Casa da Igualdade Racial. “Precisamos avançar no trabalho com os profissionais de saúde e fortalecer a identificação de situações de racismo dentro dos serviços”, destacou.

Etapa técnica trabalha construção de fluxo local

No período da tarde, a oficina teve uma etapa técnica voltada à adaptação dos instrumentos e à pactuação do fluxo local. O grupo trabalhou com ferramentas relacionadas ao documento orientador preliminar, à classificação das demandas, aos encaminhamentos e à contrarreferência.

A proposta foi construir, de forma participativa, estratégias para qualificar a articulação entre a Casa da Igualdade Racial e a RAPS no município. A etapa contou com cerca de 40 participantes e foi direcionada a um grupo técnico indicado entre os participantes da manhã.

Entre os resultados esperados da atividade estão o diagnóstico inicial das demandas, barreiras e capacidades territoriais, contribuições para os instrumentos de trabalho, a identificação de serviços e pontos focais para a articulação entre Casa e RAPS e a definição de encaminhamentos e próximos passos para a validação e implementação do fluxo local.

A secretária municipal de Saúde, Ângela Moreira Vitória, participou do encontro e destacou a importância da aproximação entre as diferentes esferas de governo e os profissionais que atuam diretamente nos territórios. “É fundamental pensar como vamos construir essa política em cada território e avançar na construção de uma sociedade de igualdade de verdade”, afirmou.

Articulação busca fortalecer atendimento à população negra

Para o secretário Júlio Domingues, a oficina teve um resultado positivo tanto pela participação dos profissionais quanto pelos encaminhamentos construídos durante a atividade. Segundo ele, o encontro possibilitou discutir avanços nos fluxos de atendimento e a consolidação de possíveis parcerias entre a Casa da Igualdade Racial, a RAPS e a Secretaria Municipal de Saúde. “Além da formação, foi possível pensar em encaminhamentos que podem refletir na política da Casa e da RAPS”, avaliou.

A atividade também possibilitou o fortalecimento da atuação conjunta entre os serviços e a construção de estratégias voltadas à saúde mental da população negra no município, aproximando os diferentes equipamentos envolvidos no atendimento.

A Oficina Saúde Mental Antirracista foi realizada pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), pelo Ministério da Saúde, por meio do Desmad/SAES/MS, e pela Casa da Igualdade Racial de Pelotas. A atividade contou com apoio local da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas e da Coordenação da RAPS Pelotas.

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