Indústria moveleira da serra instala-se em Pelotas
Posição geográfica estratégica para transações com o Mercosul e a Europa, cidade portuária, proximidade do porto de Rio Grande – segundo maior em importações e exportações do País –, política de incentivos fiscais, mão-de-obra altamente qualificada e pólo comercial da Zona Sul do Estado. Detentora de todas estas vantagens, o município de Pelotas, contrariando o cenário de crise mundial, está atraindo o interesse de médias e grandes indústrias de outras regiões.
Os primeiros resultados das ações da prefeitura, de captação de empreendimentos para a consequente geração de emprego e renda, devem-se, sobretudo, ao programa Desenvolver Pelotas, instituído pela administração do prefeito Adolfo Antonio Fetter. Na esteira deste conjunto de estímulos à reativação econômica, chega a Pelotas a Madarco, uma das maiores fabricantes exportadoras de móveis da serra gaúcha.
Classificada como empresa de médio porte, registra o faturamento mensal de R$ 2 milhões, gera mais de 300 empregos diretos e garante, à Prefeitura Municipal, a abertura de 200 postos de trabalho até o final de 2010. Este também será o prazo, determinado pela própria produtora, para desativar completamente a unidade fabril de Caxias do Sul.
Otimização da logística em Pelotas
Em visita, no final da tarde de ontem (19), ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Mário Santos, o assessor da direção da indústria, Augusto Corso, oficializou o pedido de incentivos fiscais propiciado pelo Governo Fetter. Cerca de 90% da produção de camas e beliches da Madarco destinam-se ao mercado exterior, do qual Inglaterra, Alemanha, França, África do Sul, Estados Unidos e Dinamarca são os maiores compradores. A América do Sul, segundo Corso, responde pelas vendas de 10% do montante manufaturado.
Há quatro anos com uma pequena planta em Pelotas, localizada há 500 metros do Centro de Eventos Fenadoce, a Madarco executa o pré-corte e a secagem da madeira de pinus – produzida na floresta de 1.200 hectares em Piratini – e leva-a a Caxias do Sul para a manufatura dos móveis. Os produtos retornam à Zona Sul a fim de serem escoados para outros países por meio dos portos de Pelotas e Rio Grande.
Os proprietários decidiram otimizar a logística operacional na tentativa de eliminar os prejuízos de morosidade na produção e gastos desnecessários com transporte, já que matéria-prima e pontos de exportação estão muito próximos. A instalação da fábrica em Pelotas vai propiciar a redução de 25% dos custos operacionais no exercício fiscal de 2010.
Benefícios em estudo na SDE
Após a análise da “carta consulta” da companhia, explica o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, a equipe da SDE realizará a pontuação conforme os vetores ambiental, social, econômico e tecnológico. Com esses dados em mãos, a Prefeitura terá parâmetros para decidir os percentuais de isenção de impostos municipais, prevista pela lei 5.100 de 2005. Santos estima que a Câmara Municipal receba, em 90 dias, a mensagem com o pedido de aprovação do parlamento pelotense.
A Madarco está de olho também nos profissionais formados em Engenharia Industrial Madeireira da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e nos estagiários disponíveis para qualificar todo o processo industrial. Além da absorção de mão-de-obra universitária, Corso e Santos enfatizam a criação em Pelotas de vagas indiretas nos setores afins, entre eles embalagens e tintas e serviços de manutenção.