Hospedaria luta para salvar animais maltratados
A Hospedaria de Grande Animais, mantida pela prefeitura de Pelotas, seguido atende chamados de populares que denunciam animais abandonados. O problema maior são as terríveis condições físicas em que estes animais são, muitas vezes, encontrados. Na semana passada, um cavalo recolhido e tratado pela Hospedaria não resistiu. Outro episódio lamentável ocorreu neste fim de semana, quando uma égua veio a óbito em consequência de maus tratos sofridos pelo antigo dono. “É muito triste. Quando somos chamados, fazemos todo o possível para salvá-los, mas em muitos casos já é tarde demais. A população precisa nos ajudar e denunciar antes que a situação chegue a esse ponto”, apela o médico veterinário responsável técnico pela Hospedaria, José Carlos Bunselmeyer. “Tem gente que usa o animal quase até a morte, e depois abandona, como uma moto que estragou. Dá muita pena. A gente faz o que pode e o que não pode para tentar salvar, mas muitas vezes não consegue.” A declaração é de Pablo Silveira, que trabalha há três anos na Hospedaria. Ele diz que não falta alfafa, ração nem medicamentos – o local dispõe de dois tipos de mata bicheira. O caso da égua Equipe da Hospedaria recolheu a égua cedo da manhã de sábado (12/3/16), perto de uma escola no Corredor do Guido, na Sanga Funda. Pelo exame clínico, o veterinário concluiu que, devido à infecção massiva de moscas varejeiras na genitália e ânus do animal, o prognóstico não era nada animador. A égua foi tratada com anti-inflamatório, antibiótico, analgésico, mata bicheira, polivitamínico com sais minerais, além de água e ração, mas não resistiu à intensidade das lesões e morreu, por volta das 17h de domingo. O caso do cavalo Na semana anterior, no dia 3 de março, a equipe tinha recolhido um cavalo no Sítio Floresta, também em condições deploráveis e que tinha sido “descartado” pelo antigo dono. Bunselmeyer conta que o animal idoso estava “caquético’ e foi tratado com injeção de cálcio e anabolizante – para estimular seu metabolismo -, mas no dia 7 foi encontrado caído. O cavalo foi levado ao Hospital Veterinário da UFPel onde a equipe de profissionais concluiu que era melhor sacrificá-lo. A Hospedaria Localizada na BR-392, na saída para Canguçu – ao lado do Canil Municipal, a Hospedaria de Grande Animais dispõe de 2,3 hectares de área, com água em abundância. Atualmente abriga 17 cavalos – 14 em boa saúde e três em recuperação. Diariamente, os animais recebem alfafa (pela manhã) e ração (à tardinha) e, por volta das 17h30min são recolhidos para o estábulo. O veterinário explica que os animais que estão em estado de saúde mais delicada são colocados em um galpão que funciona como enfermaria e que tem o chão “fofinho”, mais apropriado para a recuperação deles. Além disso, explica o profissional, é melhor que eles fiquem separados porque em geral os outros cavalos, saudáveis, não permitem que os doentes se alimentem. A Hospedaria de Grande Animais já chegou a ter 57 cavalos. Em dezembro do ano passado, 11 foram entregues em adoção a pessoas cadastradas e instruídas para uma posse responsável (veja matéria pelo link http://www.pelotas.rs.gov.br/noticias/detalhe.php?controle=MjAxNS0xMi0yMQ==&codnoticia=40895 ), na terceira edição de doações promovidas pela Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI), que responde pela Hospedaria. Ao todo, fora 24 cavalos doados em 2015. A quarta edição deve ocorrer em breve e os candidatos devem atender a dois pré-requisitos: ter o guia de produtor rural (que comprova que ele tem uma propriedade rural) e estar de acordo com os termos de adoção. O termo proíbe o uso dos cavalos para tração animal. As denúncias de maus tratos com cavalos podem ser feitas ao telefone da Hospedaria – 3271.9244 -, que age em conjunto com a 3ª Companhia Ambiental da Brigada Militar (Patram).