Em reunião com prefeito e secretariado, foi disponibilizado documento com as diretrizes para preparar o município para o enfrentamento de eventos extremos

Governo apresenta Plano de Contingência diante de crises climáticas

Em reunião com prefeito e secretariado, foi disponibilizado documento com as diretrizes para preparar o município para o enfrentamento de eventos extremos

Por Roberto Ribeiro 15-05-2026 | 15:16:18
Tags: Resiliência , Planejamento , Eventos climáticos

Diante do prefeito Fernando Marroni, da vice Daniela Brizolara e de todo o primeiro escalão do governo, o secretário de Proteção e Defesa Civil, Milton Martins, apresentou nesta sexta-feira (15), no Paço Municipal, o Plano de Contingência (Placon) do município diante do contexto de emergência climática e, mais emergencialmente, da ocorrência de El Niño no segundo semestre deste ano. O fenômeno está previsto para os meses de primavera. O documento traz as principais diretrizes para tornar Pelotas mais resiliente em relação ao aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, o que demanda planejamento integrado e resposta rápida. Também participaram da agenda representantes das áreas de Meteorologia das universidades federais de Pelotas (UFPel) e Rio Grande (Furg).

Estamos na iminência de um El Niño muito forte, mas a Prefeitura trabalha neste Plano de Contingência desde o ano passado, com participação das nossas equipes, de integrantes da Defesa Civil, da ciência e da própria população, principalmente aquela que mais sofre com as consequências das emergências climáticas que castigam o planeta”, disse o prefeito na abertura da audiência, na sala de reuniões do gabinete, na manhã desta sexta-feira. 

Marroni também lembrou da enchente de maio de 2004, no seu primeiro mandato, quando choveu em poucas horas mais de 200 milímetros na bacia do canal Santa Bárbara, criticou a insistência do homem em contrariar a natureza, o que qualificou como “positivismo da engenharia”, e garantiu que a gestão está atenta às vulnerabilidades do município mesmo sem contar com as obras de proteção cujos projetos já foram encaminhados ao Funrigs, do governo do Estado. 

O secretário de Proteção e Defesa Civil, Milton Martins, apresenta o Plano de Contingência do município ao primeiro escalão do governo municipal e representantes da UFPel e da Furg na manhã desta sexta-feira (15) no Paço Municipal (Fotos: Volmer Perez/Secom)

“Desde que assumimos tomamos providências que há 20 anos eram ignoradas, como desassoreamento de canais, recuperação de casas de bombas e fazendo intervenções, no Laranjal e em toda a cidade, para melhorar o escoamento, mas vamos continuar com muitas debilidades”, reconheceu. Conforme o chefe do Executivo, o Placon tem caráter participativo, com diálogo com comunidades mais vulneráveis, e didático, por meio do projeto em andamento de formação nos territórios de agentes mirins da Defesa Civil. 

METODOLOGIA

Com mais de 200 páginas, 27 apenas para apresentação, o Placon foi elaborado pelo Grupo de Trabalho Pelotas Resiliente, composto há um ano. A elaboração envolveu reuniões técnicas semanais, oficinas de trabalho, participação da comunidade e de secretarias municipais, apoio científico da UFPel e da Furg e integração com a Defesa Civil estadual. 

Imagem de arquivo mostra funcionários do Sanep em serviço de limpeza do canal da avenida Espírito Santo, no Laranjal. Prefeitura atua desde o ano passado em obras de desassoreamento, recuperação de casa de bombas e de escoamento

O documento apresenta, entre outros pontos, 27 protocolos de resposta para diferentes cenários de risco, mapeia áreas de maior recorrência e impacto no território, como Laranjal, Fragata, Centro, São Gonçalo e Colônia Z-3, propõe procedimentos padronizados de ações, aponta as principais vulnerabilidades e ainda traz um histórico recente, entre 1995 e 2024 - período em que Pelotas sofreu 14 reconhecimentos de calamidade pública e, desde 2016, contabilizou mais de R$ 550 milhões em prejuízos públicos, privados e bens materiais, segundo o Atlas Digital de Desastres do Brasil. O estudo contempla ainda questões como saúde mental. “As sequelas e traumas provocados pelos eventos extremos são dados de realidade que não ignoramos no Plano de Contingência, há uma parcela considerável da população bem adoecida”, disse o secretário Milton Martins. 

Conforme ele, o documento será disponibilizado na segunda-feira (18), até o dia 28 deste mês, para contribuições do primeiro escalão do governo. Também estão previstas, até a apresentação à população em audiências públicas e redação final, oficinas com servidores com experiência na atuação em eventos extremos anteriores no município. 

RECEPTIVIDADE

A professora Diuliana Leandro, do Centro de Engenharias da UFPel, durante a apresentação do Plano de Contingência. Para ela, discutir planejamento e resposta a eventos climáticos com antecedência e não em meio a uma crise, é uma cultura pouco arraigada no Brasil. "Muito feliz de participar desta reunião", disse

O Placon foi muito bem recebido pelos integrantes da comunidade científica que acompanharam a agenda. Para a professora Diuliana Leandro, do Centro de Engenharias da UFPel, discutir planejamento e respostas a eventos climáticos extremos sob sol e céu firme, como nesta sexta-feira em Pelotas, é uma cultura que ainda não está enraizada no Brasil. “Estou muito feliz de participar desta reunião, que não está sendo realizada em meio a uma crise, sem dúvida nenhuma isso é uma evolução”, elogiou ela. Diuliana espera que sirva de exemplo a outros municípios. “Uma cidade resiliente vai trazer benefícios ao longo do tempo, como atração de investimentos, ninguém quer colocar seu dinheiro em um município que não oferece esse tipo de segurança que estamos debatendo aqui.”

“PRIMAVERA CHUVOSA”

Para o professor Marcelo Alonso, diretor do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel), Marcelo Alonso, é cedo para associar fenômeno El Niño que se avizinha com a tragédia de 2024

Também professor, e diretor do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel), Marcelo Alonso reforçou que o papel da ciência será também o de auxiliar a gestão pública com informações qualificadas para lidar com crises climáticas. Ele ainda não vê relação do El Niño previsto para a primavera de 2026 com o evento extremo de maio de 2024. “O que temos até agora é uma primavera chuvosa, é cedo para associar o próximo El Niño, que de fato tende a ser forte a muito forte, com a enchente de 2024”, disse. Conforme ele, outras variáveis contribuíram para aquele evento, que provocou um excesso de precipitação inédito. “Em mais de 20 anos como meteorologista, nunca tinha visto nada parecido.”

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