Feirantes comemoram data dedicada à categoria
Da feira, sai o sustento para a maioria das famílias que trabalham nas bancas
Faça chuva, faça sol, tem feira em algum lugar na cidade, seja qual for o dia da semana. O trabalho do feirante, o contato direto entre produtor e consumidor é sagrado. Da banca, é tirado o sustento da maior parte das famílias que exercem a atividade.
O sábado passado (25), Dia do Feirante, foi data para valorizar aqueles que desempenham esta profissão. O trabalho é árduo. Exige que a cama seja deixada para trás ainda na madrugada, para que a freguesia encontre os produtos de preferência desde cedo nas bancas montadas em ruas do Centro e dos bairros da cidade.
Comerciantes vendem produção própria e/ou buscam produtos em atacadistas – Fotos: Marcel Ávila
Nem todos os feirantes cadastrados em Pelotas são produtores rurais ou moram na Colônia. Alguns buscam os produtos em fornecedores ou atacadistas de hortifrutigranjeiros. No entanto, há aqueles que conservam a tradição familiar e, de pai para filho, moram na colônia, onde plantam, cuidam e colhem legumes, verduras e frutas que serão levados à venda.
Tatiane Blank é moradora do Cerrito Alegre – Foto: Marcel Ávila
Tatiane Domingues Blank é moradora do 3º distrito, Cerrito Alegre. Nesta época, sua banca expõe variedades de laranjas e de bergamotas produzidas nos seus pomares. Seus pais atuaram na atividade durante mais de 40 anos. Há sete anos, ela e o marido são feirantes e vendem somente produtos da própria produção. O casal tem uma filha de dez anos e a feira livre é a fonte de sustento da família. O forte da sua produção é morango – fruta que, na época, toma conta dos estrados da banca.
Yoshiharu Takanashi está há 40 anos no ramo – Foto: Marcel Ávila
O japonês Yoshiharu Takahashi é feirante há mais de 40 anos. Natural do Japão, veio para o Brasil com oito anos. Com a renda da feira, garante o sustento de sua mãe, que tem idade avançada, e de três filhos. Ele produz parte do que vende em área de sua propriedade, no Obelisco. Outras variedades colocadas na banca são adquiridas de fornecedores.
Em primeiro lugar, para garantir a freguesia, o feirante tem que oferecer produto de qualidade. A seguir, vem o tratamento dispensado ao freguês – ele tem que ser bem-tratado”, afirma Takahashi, fornecendo a fórmula para garantir boas vendas e um consumidor cativo.
Do Monte Bonito, o casal Rudi e Marli Hartwig tem na feira o principal meio de sustento da família e, com o dinheiro da venda de verduras e legumes, formaram suas duas filhas – uma bióloga, que trabalha na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e a outra dentista. Elas foram criadas participando da lida com a estrutura da atividade.
Rudi e Marli têm na feira o principal meio de sustento – Foto: Marcel Ávila
A freguesa Maria Terezinha de Ávila Silva, consumidora dos produtos da banca há anos, faz questão de testemunhar o orgulho dos feirantes que, com seu trabalho, proporcionaram a formação das duas profissionais.
O casal Hartwig colhe as verduras e legumes na véspera da feira, acondicionam-nos nas caixas e carregam o caminhão. Às 5h, esteja amanhecendo ou ainda noite fechada, é hora de levantar-se, tomar o café e percorrer as estradas do Monte Bonito à área urbana. Ao chegar no ponto, armam a barraca, a estrutura da banca e organizam os produtos para venda. “Em primeiro lugar está o freguês, além das mercadorias, que devem estar em bom estado”, afirma Marli, com conhecimento de causa.
Participação da SDR
As feiras livres são estruturas que estabelecem um contato direto entre o produtor e o consumidor. Esta relação facilita a comercialização dos produtos, especialmente daqueles oriundos da agricultura familiar. A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) estimula o fortalecimento da produção primária e incentiva o processo, considerando os preços finais atrativos para o freguês e remunerador para os agricultores. Abaixo, o gráfico mostra os percentuais de ocupação das bancas.
Arte: Mariana Valente
Na estrutura administrativa do Município, cabe à SDR a responsabilidade sobre as feiras. A Secretaria entende que elas são os canais de comercialização de produtos, com vantagens tanto para os consumidores quanto para os produtores.
A SDR, por meio de sua equipe técnica, presta assessoria e realiza a fiscalização nas feiras livres de Pelotas. Nossa meta é a implantação de boas práticas, tanto de manipulação dos produtos como de atendimento ao consumidor. Estamos estruturando projeto para definir a origem dos produtos comercializados. Desta forma, garante-se cada vez mais a qualidade”, enfatiza o secretário Jair Seidel.
Artesanato
Não são somente as produções hortifrutigranjeiras são oferecidas nas feiras. O artesanato também se somou à cultura de comércio a céu aberto. Abaixo, gráfico mostra os índices de bancas com produtos artesanais.
Arte: Mariana Valente
Feiras livres
Em Pelotas, há 38 feiras em atividade, em locais, dias da semana e horários variados, de domingos a sábados. Confira:
Segunda-feira:
- Areal – manhã - Avenida da Paz (entre Domingos de Almeida e rua Guararapes)
- Fragata – manhã – avenida Duque de Caxias/Sylvia Mello (entre Artur Maciel e Gervásio Pereira)
Terça-feira:
- Fragata – manhã - rua Major Francisco Nunes de Souza/Cohab Fragata (entre Atahualpa Gonçalves Dias e Epitácio Pessoa)
- Centro – manhã – rua Padre Anchieta/ Igreja da Luz (entre Rafael Pinto Bandeira e Pinto Martins)
- Centro – manhã – rua Engenheiro Hugo Veiga (entre Barão da Conceição e Albuquerque Barros)
- Navegantes – manhã – Dona Darcy Vargas (entre as ruas Três e Quatro)
- Simões Lopes – manhã – avenida Visconde da Graça (entre Frederico Bastos e Doutor Torres Homem)
- Centro – Ecológica Bento – manhã - avenida Bento Gonçalves (entre Almirante Barroso e Edmundo Berchon)
- Centro – Big ao Entardecer – tarde – avenida Bento Gonçalves (entre avenidas Ferreira Viana e Juscelino Kubitschek de Oliveira)
- Três Vendas – tarde - rua Santiago Dantas/Moradas Pelotas (esquina João Jacob Bainy)
- Três Vendas – manhã – rua Pedro Moacyr/Praça do Colono
Quarta-feira:
- Centro – manhã – rua Princesa Isabel (entre Almirante Barroso e Alberto Rosa)
- Centro – manhã – rua Tamandaré (entre General Osório e Andrade Neves)
- Cohab Lindoia – manhã – rua São Luiz (esquina avenida Ernani Osmar Blaas)
- Cohab Tablada – manhã – rua Doutor Ramiz Galvão (entre avenida Coronel Thomaz Flores e rua Vicente Russomano)
- Simões Lopes – manhã – rua Carlos Bordini (entre Sete de Abril e Nossa Senhora Aparecida)
Quinta-feira:
- Areal – manhã – rua Cláudio Manoel da Costa/Vila Leocádia (esquina General Câmara)
- Centro – manhã – avenida Bento Gonçalves (entre Marechal Deodoro e Barão de Santa Tecla)
- Centro – manhã – Cohabpel
- Cohab Guabiroba – manhã – rua Feyez Habeyche (entre Arnando da Silva Ferreira e Iara Silva)
- Centro – tarde – Ecológica Mercado – Mercado Central
- Fragata – tarde – avenida Duque de Caxias/Vila Militar
- Três Vendas – tarde – avenida 25 de Julho/Terra Nova
- Laranjal – manhã – avenida Rio Grande do Sul
Sexta-feira
- Centro – manhã – rua Alberto Rosa (entre Dom Pedro II e Gomes Carneiro)
- Santa Terezinha – manhã – avenida São Jorge (entre Santa Clara e Santa Maria)
- Fragata – manhã – rua Gonçalves Ledo (entre Carlos Gotuzzo Giacoboni e Cristóvão Colombo)
- Areal – manhã – rua Benjamin Gastal (entre avenida Domingos de Almeida e rua Francisco Moreira)
Sábado:
- Centro – manhã – parque Dom Antônio Zattera (entre avenida Bento Gonçalves e rua Doutor Amarante)
- Fragata – manhã – avenida Duque de Caxias/Laneira (entre Frederico Bastos e Darci Xavier)
- Porto – manhã – rua Artur de Souza Costa/Pontilhão (entre Tiradentes e Baldomero Trápaga)
- Areal – manhã – rua Felipe dos Santos (entre a rua Bandeirantes e avenida São Francisco de Paula)
- Laranjal – manhã – avenida Espírito Santo (entre Mostardas e São José do Norte)
- Centro – manhã – rua Professor Araújo/Largo Vernetti
- Três Vendas – manhã – Ecológica Dom Joaquim (esquina Póvoas Júnior)
Domingo:
- Simões Lopes – manhã – rua Nereu Ramos (entre Sete de Abril e Garcia Redondo)
- Cohab Tablada – manhã - avenida Thomaz Flores (entre Leopoldo Souza Soares e Visconde de Cairu)
- Centro – manhã/tarde – Artesanato Bento – avenida Bento Gonçalves (entre Félix da Cunha e Barão de Santa Tecla)