Falta de peixe preocupa comunidade da Z-3

Por Divulgação 17-12-2002 | 00:00:00
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  A falta do peixe pelo terceiro ano consecutivo está novamente preocupando os pescadores da Colônia Z-3. A pesca indiscriminada com a presença de grandes traineiras na costa está tornando o pescado escasso na Lagoa dos Patos. O prefeito Fernando Marroni, esteve na Colônia Z-3 conversando com pescadores e solidarizando-se com este problema que atinge diretamente a economia do município.
  Com cerca de 80 redes na Lagoa, o pescador Felipe Xavier viu-se frustrado ao recolher apenas cinco quilos de peixe. O excesso de água na Lagoa e o grande numero de embarcações de pesca na 4ª e 5ª secção da Barra em Rio Grande, impedem que o peixe chegue a Lagoa, afirma Xavier. “Tem traineiras de 400 toneladas, há mais de uma semana na Costa”, reclama ele.
  Dos cinco quilos de peixe, retirados das oitenta redes de Xavier, se estiverem em condições, ou seja, as guelras coradas, o preço de venda é de R$ 0,50, caso contrário este preço baixa para R$ 0,20.
  A incursão de traineiras na Barra matou cerca de 2,5 toneladas de peixe, que entrariam na Lagoa costeando o litoral, denuncia o pescador Carlos Roberto, em atividade na pesca há 22 anos. A tecnologia utilizada pelos barcos traineiras é muito sofisticada, diz ele, os sonares localizam o cardume e ao mesmo tempo em que a pesca é realizada os peixes menores acabam sendo descartados e mortos.
  A água doce é outro fator que leva a diminuição da pesca, afirma o pescador Inácio Teixeira Carranho, que no final de semana com 68 redes distribuídas na água, conseguiu pescar apenas 10 quilos, que irá vender a R$ 0,50. Alem da dificuldade da pesca, a qualidade do peixe também é preocupante, afirma ele.
  O presidente do sindicato dos Pescadores da Z-3, Ernesto Santos, coloca mais uma preocupação em pauta, que é o pagamento da primeira parcela do RS Pesca, que deve ser quitada em fevereiro, e do Pronaf, que vence em maio. Se as atuais condições permanecerem, não teremos como saldar nossas dividas, anuncia Santos.
  No RS-pesca, estão inseridos 189 pescadores, com débitos de cerca de R$ 300,00, e no Pronaf, 400 pescadores com dividas de até R$ 630,00. Os pescadores defendem a criação de uma legislação de proteção à pesca, que hoje é liberada indiscriminadamente. O Fórum da Lagoa está discutindo o tema, e deverá propor a criação de uma portaria regulamentando o tema.

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