Chafariz das Nereidas é um dos mais importantes do país
 O chafariz Fonte das Nereidas, localizado na Praça Coronel Pedro Osório, é um dos mais importantes do país, juntamente com o da Praça Monroe, no Rio de Janeiro. A afirmação é da vice-prefeita da cidade francesa de Saint Dizier, Elisabeth Robert-Dehault que esteve ontem(21) em Pelotas para firmar um convênio de cooperação entre as duas cidades. Ela integra a comitiva que esteve visitando os principais monumentos de ferro fundido da cidade.   Segundo Elizabeth, ele é idêntico ao chafariz da cidade de Edimburgo, na Escócia, que tem 13 metros de altura e foi criado especialmente para Exposição Universal de Paris, em 1862. “Hoje se pode afirmar que são os únicos iguais no mundo”. Segundo informações da especialista, o chafariz de 6 metros de altura foi esculpido pelo francês Klagmann e feito na fundição Durenne, uma das principais da França, ao lado da fundição Val d´Osre. Ela representa também a Associação para Promoção e Salvaguarda do Patrimônio Metalúrgico de Houte-Marné (ASPM) e faz parte da Associação Metalúrgica da França.   O grupo esteve no gabinete do prefeito em exercício Mário Filho, para assinatura do convênio e após visitaram monumentos de ferro fundido construídos no século XIX. A intenção do convênio, segundo Elizabeth, é de trocar informações e disponibilizar uma assessoria técnica para identificação das peças de ferro existentes na cidade. “As peças são identificadas, fotografadas e após é verificada sua procedência através de catálogos destas, que foram as maiores fundições da França”, explica, “queremos sensibilizar os municípios que são proprietários deste patrimônio francês para que sejam preservados”.   Sobre o trabalho de restauração que vem sendo executado na Fonte das Nereidas, obra de arranque do Programa Monumenta, Elizabeth tece inúmeros elogios sobre o trabalho que está sendo desenvolvido. “Acredito que nem no Rio de Janeiro o processo de restauração tenha sido tão perfeito”, elogiou. Na parte de cima da fonte ela identificou através de elementos agregados às Nereidas, homenagem a música, artes, ciências e a indústria.   Outro fato destacado por Elizabeth foi a inscrição encontrada no chafariz da Praça Cipriano Barcellos, localizada entre as ruas Marechal Floriano, Lobo da Costa e Barão de Santa Tecla. O nome A. Durenne-Sonnevoire indica a fundição onde foi feita a fonte, montada em 1874 e adquirido pela Cia. Hidráulica Pelotense.   “As fontes são belas e estão em ótimo estado”, avaliou ao final da visita. Segundo ela a cidade é maravilhosa, digna de um destino turístico cultural do valor deste patrimônio.   A ASPM vem realizando este trabalho de pesquisa em todo mundo. Já foram visitados diversos países na América Latina, Estados Unidos, Canadá e Europa. Em 1997 foi realizado um seminário no Rio de Janeiro sobre restauração de peças em ferro. Este ano, no mês de abril, acontece mais um encontro em Buenos Aires, na Argentina, onde foram catalogadas mais de 200 peças em ferro. “Gostaríamos que a Prefeitura de Pelotas apresentasse o Chafariz das Nereidas, esta importante peça, assim como o trabalho de recuperação”, já que são poucas as cidades que restauram tão bem as peças em ferro fundido.   No Rio de Janeiro, o trabalho realizado em parceria com a ASPM teve início em 1992 e resultou no livro “Fontes D´art – chafarizes e estátuas francesas do Rio de Janeiro”, lançado em 2000. As fontes d´art francesas, ou seja, estátuas, chafarizes e objetos de decoração em ferro fundido do município, foram importados entre 1850 e 1900 e estão catalogados no livro. Foram catalogadas 200 peças,sendo que 164 delas foram tombadas pelo município.   O chafariz da Praça Monroe, no Rio de Janeiro, é considerado uma das peças mais importantes do mundo. É de ferro fundido e de origem francesa feito pelo escultor Mathurin Moreau nas fundições do Val D'osne na segunda metade do século XIX, aproximadamente 1860, e adquirido por Dom Pedro II em 1878, em Viena, para ornamentar o Largo do Paço, atual Praça XV. Tem 10 metros de altura. É o mais alto da cidade do Rio de Janeiro. No século passado, o berço da metalurgia francesa ficava no Val D'Osne, uma região no nordeste da França onde se concentravam as grandes fundições artísticas.