Escola de Gestão Pública inicia formação na Língua Brasileira de Sinais para aprimorar atendimentos

Capacitação de servidores em Libras promove inclusão

Escola de Gestão Pública inicia formação na Língua Brasileira de Sinais para aprimorar atendimentos

Por Carolina Ney – MTb/SP 23024 04-09-2026 | 16:32:35
Tags: Libras , Inclusão

Iniciativa inédita da Escola de Gestão Pública (EGP) da Prefeitura no Município, a capacitação na Língua Brasileira de Sinais (Libras) chegou aos servidores públicos de Pelotas neste ano. A partir da seleção de instrutores lançada pela coordenadora, procuradora geral do Município, Cristiane Grequi Cardoso, e finalizada no primeiro semestre, foi viável dar início a uma série de formações básicas que já contemplaram atendentes do Setor de Dívida Ativa do órgão (PGM) e agentes de combate às endemias (ACEs).

Atualmente, as aulas são ministradas na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SMPM) pela servidora da Procuradoria, Giovanna Duarte, pedagoga e acadêmica de Letras – Libras, com especialização para atuação como tradutora e intérprete. Em dois meses, cerca de 50 funcionários, entre estatutários, celetistas, comissionados, contratados e estagiários, concluíram o curso oferecido.

Nova turma em outubro

Gestores titulares de pastas e empresas da municipalidade podem enviar mensagens ao e-mail egp@pelotas.rs.gov.br, manifestando interesse na inscrição das equipes. De 21 de outubro a 11 de novembro, uma nova turma estudará formas práticas de interlocução habilitadas à promoção da inserção de todos os moradores nos indispensáveis procedimentos burocráticos do cotidiano na cidade.

Proporcionar inclusão e o sentimento de pertencimento a pessoas surdas na triagem dos munícipes, que buscam os serviços públicos, constitui-se na meta primordial do curso oferecido por meio da EGP”, detalha a coordenadora Cristiane.

De acordo com a procuradora geral, a ideia não é a formação completa, em Libras, dos trabalhadores das linhas de frente, ou seja, que desempenhem funções junto à população. O domínio intermediário da língua – acrescenta a professora – demandaria mais de seis meses de aulas diárias, no mínimo.

Quanto à importância da qualificação de pessoal, a instrutora dá relevo à concentração, neste mês, de diversas datas relacionadas ao tema. Em setembro, celebram-se os dias Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21), Internacional da Língua de Sinais (23) e Nacional dos Surdos (26). 

A intensificação do trabalho no período fortalece a conscientização sobre a necessidade de efetivar, ampliar a acessibilidade aos surdos, tão cidadãos na sociedade quanto os ouvintes”, pondera Giovanna.

A Administração dá um passo para aproximar a política pública de quem precisa, na avaliação da coordenadora da EGP. Somente em Pelotas, apontam os dados da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há entre mil e 3 mil indivíduos com a deficiência, contingente expressivo ao qual o Poder Público tem de estar preparado no que diz respeito à recepção e interação eficazes.

Cultura, oralidade e gestos

Giovanna lembra da existência de peculiaridades que devem ser respeitadas em consonância com a cultura própria dos surdos. "Os alunos aprendem ainda a lidar com quem não ouve, porém possui aptidão para 'oralização', se assim desejar", diz a docente, mencionando a necessidade de ensinar gestos a serem evitados.

Êxito na interlocução

O empenho em capacitar e sensibilizar o funcionalismo a esforçar-se na comunicação exitosa já produziu resultados proveitosos. A instrutora relata a autossatisfação expressa de um agente de combate às endemias ao conseguir cumprir plenamente o trabalho nos bairros. "Começamos a gerar a realidade de inclusão e acessibilidade às comunidades", constata a procuradora geral Cristiane.

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