Em Pelotas, pescadores aguardam que a Lagoa dos Patos traga a maré baixa para que ocorra uma boa temporada

Baixa expectativa para a safra de camarão preocupa pescadores

Em Pelotas, pescadores aguardam que a Lagoa dos Patos traga a maré baixa para que ocorra uma boa temporada

Por Lucia Ippolito 23-01-2026 | 09:06:32
Tags: Camarão , Pesca

 

O dia 1º de fevereiro marca o início da safra de camarão, período no qual muitas famílias que mantém como herança e tradição a pesca artesanal, garantem emprego e renda em todo o Brasil. Neste ano, a expectativa não é das melhores, visto a instabilidade do tempo.

A comunidade pesqueira é forte no Brasil, em Pelotas não é diferente, são mais de 1400 pessoas envolvidas na comunidade pesqueira, concentradas na Colônia Z3, Pontal da Barra, Ponte São Gonçalo, Doquinhas, Balsa e Vila da Palha.

O pescador artesanal é aquele que utiliza redes de pesca, embarcações simples como canoas ou pequenos barcos. Na região de Pelotas, pescadores aguardam que a Lagoa dos Patos traga a maré baixa para que ocorra uma boa safra, o que não tem acontecido há alguns anos.

Assim como as principais espécies capturadas na região, entre elas, a tainha, corvina, linguado e a traíra, o camarão possui um período de defeso, estabelecido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que permite que o crustáceo se reproduza e cresça. Embora a captura seja controlada, o tempo não contribui para que esse processo se conclua.

Para o presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z3, Nilmar Conceição, a expectativa de uma boa safra é baixa.

Presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z3, Nilmar Conceição. Foto: Volmer Perez)
“A realidade é uma só: tem chovido muito na região. Eles (pescadores) sabem disso, mas possuem esperança que melhore ”, declara.

Uma boa safra pode ser prevista, segundo o presidente do sindicato, e acontece quando os pescadores percebem que a água está salgada nos últimos meses do ano, com o tempo seco, a larva do camarão chega mais facilmente à Lagoa. 

Pescadores da Colônia Z3 

Sendo a mais tradicional e com maior número de pescadores de Pelotas (cerca de 900), a Colônia Z3 é berço de uma comunidade forte, com raízes na pesca artesanal. A instabilidade do tempo não só prejudica a pesca do camarão, mas também traz a insegurança para quem vive disso.

Marcos Antônio, com 57 anos, pesca desde seus 16 na Colônia Z3. Comenta que o camarão é uma das maiores expectativas dos pescadores já que a venda em mercados locais (salgas), diretamente aos consumidores em feiras do pescador é melhor. 

(Pescador Marcos Antônio. Foto: Volmer Perez)
“Faz três anos que não dá um camarãozinho, mesmo que o tempo melhore, vai vir em atraso já que a safra é por um tempo muito curto”, comentou. 

A venda de peixe geralmente fornece a renda necessária para suprir outras necessidades básicas da comunidade. Para Alessandro Miranda, pescador de 44 anos, a pesca é o sustento para ele e seus familiares.

(Pescador Alessandro Miranda. Foto: Volmer Perez)
“Se o tempo ajudar, temos fé que no fim de janeiro venha uma boa leva para que possamos garantir uma boa safra”, relata.

Para a Secretaria de Desenvolvimento Rural e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), outro desafio é o alto custo para manter a atividade, que envolve a manutenção das embarcações, redes de pesca, gelo e alimentação. Além disso, o valor pago pelo camarão na beira do rio, muitas vezes é considerado abaixo do preço justo. O produto acaba sendo vendido a preços baixos para atravessadores, enquanto chega ao consumidor final com valor muito superior.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Antônio Leonel, comenta a situação: 

“Esse cenário gera insegurança econômica e impacta a vida da comunidade pesqueira e desestimula a atividade. A pesca artesanal precisa ser valorizada para continuar existindo. Nossa mensagem é de respeito, reconhecimento e compromisso com os pescadores e pescadoras que garantem alimento na mesa da população”, declara.
Foto da capa: Volmer Perez