Evento reuniu mais de 30 servidores do serviço de alta complexidade

Assistência Social promove discussão sobre assédio moral

Evento reuniu mais de 30 servidores do serviço de alta complexidade

Por Alessandra Meirelles – MTb/RS 10052 04-03-2026 | 18:32:19
Tags: assédio , prevenção

Nessa quarta-feira (4), mais de 30 servidores da alta complexidade da Secretaria de Assistência Social (SAS) participaram de uma discussão sobre assédio no ambiente de trabalho. A atividade foi solicitada pela SAS, e coordenada pela Procuradoria Geral do Município e a Escola de Gestão Pública da Secretaria de Recursos Humanos (Serh). 

A alta complexidade é responsável pelos abrigos institucionais – para crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, mulheres e pessoas em situação de rua – e pelo Serviço de Família Acolhedora. A diretora do serviço, Deisy Jaques, diz que solicitou a ação para qualificar o trabalho das equipes e evitar práticas prejudiciais à saúde mental dos servidores. A mesma atividade já foi feita com outros grupos da Secretaria e outras estão previstas.

Os participantes foram orientados sobre a quem recorrer em caso de assédio, seja de colegas, de chefes, ou de pessoas externas ao serviço, e tiveram espaço para falar sobre as suas vivências com a temática, dentro ou fora da Prefeitura. Uma das servidoras contou que sofreu assédio e que anos mais tarde soube que o seu assediador enfrentou processos por ter feito o mesmo com várias outras pessoas, e desabafou: “eu não fiz nada e me arrependo”, porque percebeu que o que viveu afetou não apenas a vida profissional, mas também a pessoal. Vários casos envolvendo cuidados com os filhos também foram citados, como chefes que perguntavam se o filho com pneumonia ainda ficaria muito doente, ou um homem que, na iniciativa privada, não pode utilizar a licença paternidade porque o chefe não considerou que ele fosse realmente pai, por se tratar de uma adoção. 

A procuradora geral do município, Cristiane Grequi, explica que a Escola de Gestão Pública vem fazendo esse trabalho de acordo com a demanda das secretarias. “Em princípio, era um treinamento, mas muito mais do que falar, a gente quer compartilhar experiências, ideias. É praticamente impossível que alguém, em algum momento, não tenha sofrido algum ato de assédio, ou não tenha presenciado, então seria surpreendente se não tivesse algum relato, alguma manifestação, mas mais do que trazer a sua própria experiência, queremos deixar o tema sempre muito presente na rotina diária para que as pessoas tenham cuidado, olhem sempre para o seu colega, consigam compreender, façam esse exercício de empatia”, disse ao revelar que muitas pessoas perceberam os assédios que sofreram durante as conversas, “o pessoal muitas vezes foi silenciado, então eu acho que a gente está trazendo isso para que o tema não se perca no dia a dia, na rotina de trabalho, conversar como um assunto não proibido, mas como um assunto que deve ser trazido como maneira de prevenção”, avaliou. A procuradora também avaliou que em secretarias como a SAS, o trabalho é mais sensível, em que se trabalha sempre em situações limite, com pessoas em situação de vulnerabilidade, por isso os envolvidos precisam de tempo para parar e refletir, e não entrar em um ciclo de violência que acaba gerando uma forma de comunicação que pode propiciar respostas mais secas, menos refletidas, dentro de uma estrutura que facilita o assédio. 

O grupo recebeu fichas com exemplos de situações rotineiras, e discutiu, com a mediação da procuradora, quais eram casos de assédio e quais eram situações normais de trabalho, para que consigam entender e classificar cada uma delas, e possam procurar ajuda quando necessário, como “contestar, a todo momento, suas decisões”, ou “limitar o número de vezes e monitorar o tempo em que o trabalhador permanece no banheiro”, que caracterizam assédio. Cristiane disse que o objetivo do trabalho é rapidamente identificar e resolver as situações que surgem.

Como denunciar

As denúncias de assédio podem ser feitas pessoalmente na Ouvidoria do Servidor (rua General Osório, 938), das 8h às 14h, pelo telefone 53.3199-8315, que também pode ser usado para marcar uma conversa sobre o assunto.

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