Prefeitura tem rede atuante no combate a sífilis
Notificações da doença no Município cresceram nos últimos três anos
O número crescente de casos de sífilis no País é uma preocupação e grande desafio aos governos para efetivação de políticas públicas de saúde. Em Pelotas, o Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Aids da Secretaria de Saúde (SMS) busca novas estratégias para enfrentar a doença. Os casos registrados no Município, no primeiro trimestre desse ano, chegaram a 216.
O aumento da quantidade de pacientes com a infecção vem sendo acompanhado nos últimos anos. Em 2015, foram notificados 142 casos; em 2016, contabilizou-se 518 ocorrências; e, no ano passado, o contingente chegou à marca de 715 infectados. Um agravante é o fato de que, mesmo havendo notificação compulsória da enfermidade, a sinalização não ocorre em 100% dos casos, informa a chefe do Departamento IST/Aids, Maria Alice Rodrigues.
Somado ao total de pessoas que não sabem que estão com sífilis, este número é ainda maior do que parece”, afirma a chefe do Departamento.
No combate à doença, em 2015, foi criado o Comitê Municipal de Investigação da Transmissão Vertical da Sífilis, HIV e Hepatites Virais. Todas as contaminações confirmadas e informadas de sífilis em gestantes e congênita são investigadas, buscando apurar fatores que contribuam à incidência e propondo medidas para resolvê-los.
Foto: Arquivo - Ascom
Todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) oferecem testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites virais, bem como preservativos masculinos e femininos. As UBSs também fornecem a medicação para o tratamento – feito à base de penicilina injetável. As doses podem ser aplicadas semanalmente, dependendo do quadro clínico. Por isso. é essencial, à cura, que a terapêutica seja completada sem falhas.
As gestantes são a maior preocupação da SMS, pois a sífilis é transmitida ao bebê e pode causar surdez, cegueira, problemas neurológicos e até a morte. É recomendado que todas as grávidas realizem o teste rápido na primeira consulta do pré-natal.
Maior incidência
A sífilis é uma doença que se pensava estar quase erradicada em razão das campanhas do uso de preservativo, motivadas pelo aparecimento do vírus HIV. Durante alguns anos, o cenário melhorou. Contudo, devido ao avanço das medicações destinadas às pessoas que vivem com AIDS, a proteção foi deixada um pouco de lado, sofrendo queda significativa no Brasil.
Com o sexo desprotegido, a sífilis foi ganhando espaço e, hoje, é considerada uma epidemia pelo Ministério da Saúde. No Município, conforme os dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), foram registrados mais de 2,1 mil casos entre 2015 e o primeiro trimestre de 2018:
Arte: Mariana Valente
Usar preservativo nas relações sexuais, fazer o teste rápido para sífilis e seguir o tratamento até o fim são as melhores maneiras de prevenir e controlar a infecção”, enfatiza Maria Alice.