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Isolamento social: ficar em casa é a medida mais eficaz contra o vírus

Às vésperas de realizar o fechamento total da cidade, Pelotas registra um dos menores índices de isolamento social e crescimento de 283,6% no número de casos positivos em apenas um mês

Por Alessandra Senna 06-08-2020 | 09:58:01

A pandemia do coronavírus, considerada umas das maiores emergências sanitárias da história da humanidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS), fez com que protocolos de higiene passassem a ser mais freqüentes na vida de todos – lavar as mãos, usar álcool em gel, são procedimentos indispensáveis e determinações governamentais. O uso da máscara garante a barreira entre o nariz, boca e o vírus. Mas há uma recomendação que se tornou uma espécie de slogan desde que os especialistas perceberam o potencial de contágio do causador da Covid-19: fique em casa. A expressão, hoje multiplicada em redes sociais nos mais diversos idiomas, sugere o isolamento social como a melhor forma de prevenção e de controle da pandemia. Mas com o passar dos meses, manter o “tratamento” se tornou cada vez mais difícil e lugares como Pelotas – que atingiu o índice de 70% de isolamento social no começo da pandemia – registram ao longo do tempo uma queda na permanência das pessoas nas residências e um aumento no número de casos. 

Isolamento social é a melhor forma de prevenção e de controle da pandemia. Foto Michel Corvello/Arquivo Ascom

Pronta para realizar lockdown, a cidade registra o pior índice de isolamento desde o primeiro decreto municipal, em março, que determinou o fechamento de serviços e atividades. Segundo os últimos dados, divulgados pelo governo gaúcho, a partir do monitoramento dos celulares da população, no dia 31 de julho apenas 38,8% das pessoas estavam em casa. A última média não superou os 45% de taxa de permanência nos domicílios. 

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O resultado está em uma constatação dos números registrados pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). No dia cinco de julho, Pelotas tinha 318 confirmações para coronavírus, um mês depois, no mesmo dia, já são 1220 positivos, 902 pessoas a mais, que representam um aumento de 283,6% nos casos contabilizados.

“ A cada investigação que a gente vai fazer, percebe-se que uma quantidade significativa de pessoas que não está respeitando o isolamento, inclusive recebemos denúncias relacionadas ao não cumprimento do distanciamento social”, relata a chefe da epidemiologia, Carmem Viegas. 

Reprodução do vírus

A queda nos índices de isolamento em Pelotas também tem preocupado o Comitê de Acompanhamento de Evolução da pandemia da UFPel , instituição responsável pelo mapeamento da Covid-19 no Estado. 

De acordo com epidemiologista, membro do Comitê COVID UFPEL , Inácio Crochemore da Silva, há uma relação direta entre casos confirmados e o baixo índice de isolamento social. Hoje em Pelotas, conforme o cálculo de reprodução do vírus – que possibilita aos especialistas saberem a velocidade em que está ocorrendo o contágio - com o índice de isolamento em cerca de 45%, cada um infectado é capaz de passar coronavírus para 1,24 pessoas. Em números inteiros, é como se quatro positivos tivessem a capacidade de contaminar outras cinco pessoas, tudo porque não “ficaram em casa”. 

“Um indivíduo contaminado é capaz de infectar uma ou mais pessoas. Apenas quando o número de reprodução fica abaixo de um é que teremos uma situação que vai reduzir o número de infecções e achatar a curva. A melhor maneira de chegarmos a menos de um é com uma mobilidade bem reduzida, de pelo menos 70% de isolamento social”, explica o epidemiologista.

Crochemore alerta que Pelotas ainda não chegou ao chamado pico da pandemia, momento que é considerado pelos especialistas como o ápice dos contágios.

 “Não chegamos no pico, mas estamos próximos, as ações de agora é que vão definir o pico. Se não fizermos nada, chagaremos antes nesse estágio da pandemia e de uma forma bem mais extrema”, afirma ao ressaltar que só o isolamento social para evitar um colapso na rede de saúde.

Contaminação domiciliar

Se a permanência em casa é encarada como algo secundário, a contaminação entre familiares revela outra forma de distanciamento que não é cumprida. Um dos protocolos para casos positivos, que não necessitem de internação, é o isolamento domiciliar por 14 dias, tempo para que, segundo os médicos, o paciente deixe de ser transmissor do coronavírus.

Mas a Vigilância Epidemiológica tem identificado casos cada vez mais freqüentes de comunicantes, pessoas que convivem na mesma casa de um paciente positivo para coronavírus e acabam sendo contaminadas.

 “Temos casos de comunicantes - pessoas que têm contato com casos confirmados e acabam positivando posteriormente. Isso quer dizer que o isolamento intradomiciliar também não está acontecendo como deveria ser em grande parte dos casos”, afirma a chefe da Vigilância.

Pacientes positivos são orientados a realizar total afastamento dos demais moradores do domicílio. “Preferencialmente devem ficar em um único cômodo da casa, usando um único banheiro, se houver mais de um, do contrário deve sempre realizar a higienização após o uso. Sempre usar máscara ao sair do ambiente em que está, também é outra recomendação”, conclui Viegas.

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