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Atendimento por telefone é alternativa para consultar sem sair de casa

Através da Central de Teleconsulta, pelotenses podem receber orientações e encaminhamentos de profissionais de saúde de segunda a segunda. Serviço recebeu mais de 180 chamados nesta semana

Por Luiza Meirelles 18-04-2020 | 10:17:08

“Foi a melhor coisa que criaram”, disse dona Anita Luiz, 62 anos, ao relatar o atendimento recebido pela Central de Teleconsulta, nesta semana, por telefone. O serviço gratuito disponibilizado desde segunda-feira (13), em Pelotas, através de parceria entre a Prefeitura, UFPel, UCPel, Coinpel e startup Indeorum, já recebeu 188 chamados até as 15h desta sexta-feira. 

O número comprova que, assim como dona Anita, moradora das Três Vendas, os pelotenses têm apostado nas teleconsultas como alternativa para ouvir a palavra de um profissional de saúde, relatar seus sintomas e receber encaminhamentos sem sair de casa – uma das estratégias mais importantes e defendidas por especialistas para minimizar a propagação do novo coronavírus.

Dados levantados pela Central mostram que pessoas entre 13 e 60 anos são as que mais procuram o serviço (76,2%), seguidos por cidadãos maiores de 60 anos (23%). O público predominante é feminino, representando 77,2% dos chamados. O fato de passar o dia sozinha em casa e a avalanche de notícias diárias sobre a doença tornaram ainda mais angustiantes os sintomas gripais que se apresentaram para dona Anita, que se preocupou com a combinação de sinais, como tosse, febre e coriza.

“Eu estava muito preocupada, sem saber o que fazer. Me sentindo mal mesmo, com dor no peito de tanta angústia. Foi quando me lembrei desse 0800. Liguei e fui muito bem atendida, até me emociono contando porque foram tão atenciosas e me deixaram muito mais tranquila. Só de poder conversar com alguém da saúde sem sair de casa, é ótimo”, contou a moradora da zona norte. 

Depois de receber as orientações e ouvir as recomendações médicas, a senhora também comemorou o fato de seguir recebendo ligações da central para saberem sobre seu estado de saúde, o que considera um gesto de cuidado e atenção. Depois de alguns dias, a febre passou e os sinais gripais também foram amenizados, o que a tranquilizou um pouco mais. “Até liguei para minha irmã, que mora em Santa Catarina, para contar desse serviço em Pelotas”, comentou.

A facilidade disponibilizada na cidade visa, principalmente, evitar que estas pessoas se desloquem até as unidades de saúde, quando não for necessário, para reduzir a possibilidade de propagação da Covid-19. Além disso, otimiza a utilização dos recursos de saúde e oportuniza atendimentos mais seguros e rápidos aos cidadãos, uma vez que o serviço agiliza a triagem dos casos de síndrome gripal, incluindo os de coronavírus.

Profissionais de saúde do grupo de risco também enfrentam a pandemia

Em média, 42 atendimentos são prestados por dia na unidade. Esta quinta-feira (16) registrou o maior número de acolhimentos na primeira semana de operação: 50. O serviço conta com o envolvimento de cerca de 100 profissionais, responsáveis pelo atendimento e execução do projeto, que funciona das 8h às 18h pelo número 0800 6485 319 – de segunda a segunda-feira para atendimento pré-clínico, e de segunda a sexta para consulta com psicólogos. Além destes profissionais, também oferecem teleconsultas médicos, enfermeiros, educador físico, assistente social, terapeuta ocupacional e nutricionistas. 

O serviço ainda representa uma oportunidade para que estes profissionais, que não podem atuar na linha de frente da saúde por terem mais de 60 anos ou comorbidades, fortaleçam o enfrentamento da pandemia, considerando que o trabalho é feito remotamente de suas casas. 

Tatiana Silva, 58 anos, é outra paciente satisfeita com o atendimento prestado pela central. A moradora do Laranjal, que tem asma, estava preocupada com as crises de falta de ar e pensou em ouvir uma opinião médica. Foi quando leu a notícia, na página da Prefeitura, sobre a novidade: poderia questionar a um profissional de saúde, por telefone, a necessidade de procurar ou não um atendimento presencial. “Fiquei muito contente e satisfeita pelo atendimento que recebi, me atenderam bem e super rápido. Precisei ir à Unidade Básica de Saúde, mas fui com todas as orientações e recomendações necessárias, então fiquei mais segura”, afirmou. 

Por quais motivos devo ligar para a Central?

Todas as ligações recebidas passam por um sistema de classificação, no qual o profissional, com base em um questionário pré-estabelecido, identifica a necessidade do usuário e realiza o atendimento pré-clínico. São três linhas de atendimento diferentes, dependendo da motivação de quem for ligar, ou seja, é possível discar para obter orientações e informações sobre síndrome gripal e/ou coronavírus, para relatar sintomas e ter atendimento pré-clínico ou, ainda, para compartilhar a preocupação pelo momento atual com algum profissional especializado.  

A Secretaria de Saúde enfatiza que os cidadãos não devem procurar a central para consultas de terceiros, isto é, a própria pessoa que apresenta os sintomas gripais deve telefonar e falar com o profissional de saúde, facilitando o diagnóstico e encaminhamento. 

Quais são os procedimentos adotados?

Nesta primeira semana de funcionamento, a maioria dos encaminhamentos correspondeu à recomendação ao isolamento domiciliar, seguido logo depois pela procura por uma UBS ou a busca do atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal. O que define estas diretrizes é o quadro detalhado pelas pessoas. Vinte e dois pacientes seguirão sendo monitorados pelos profissionais de saúde, que retornarão as ligações para reavaliar o seu estado de saúde.

Quando identifica sinais graves de síndrome gripal (falta de ar, desconforto respiratório, piora de condições clínicas de doenças preexistentes), o profissional encaminha o caso à UPA. Aqueles com sintomas gripais leves, sem febre e comorbidades, são orientados ao isolamento domiciliar, mantendo-se em quarto ventilado até o fim do período sintomático e intensificando a higiene respiratória e os hábitos saudáveis de alimentação. A recomendação é de que voltem a ligar para a Central caso haja alteração no quadro.

Força-tarefa 

A central começou a operar na segunda-feira a partir da articulação entre Prefeitura, universidades Federal (UFPel) e Católica de Pelotas (UCPel), Companhia de Informática de Pelotas (Coinpel), Hospital Escola da UFPel, unidade filiada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e startup Indeorum.

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