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Apenados aprendem técnicas em empresa de artefatos de cimento

Iniciativa impulsionada pelo Pacto Pelotas pela Paz é resultado de parceria entre Prefeitura, Susepe, UCPel e Olavo Rocha Construtora

Por Luiza Meirelles 21-02-2019 | 11:28:27

Esperança. Com essa palavra, um dos apenados do Presídio Regional de Pelotas (PRP) define a oportunidade de adquirir conhecimentos e descobrir novas realidades. A experiência positiva a que ele refere-se representa mais uma etapa do programa ‘Segunda Chance’, do Pacto Pelotas pela Paz, que, como diz o nome, possibilita que novas perspectivas e portas se abram a quem já errou, mas busca uma opção de integrar-se à sociedade novamente.

Fotos: Michel Corvello

Na terça-feira (19), cinco apenados do regime fechado foram conhecer as instalações da empresa Artecim Artefatos de Cimento, na zona norte da cidade. A visita foi organizada pelo empresário Olavo Rocha, proprietário de construtora e apoiador das ações ressocializadoras no município. No local, o grupo pôde conhecer todo o processo de fabricação de tubos de concreto – desde a chegada da matéria-prima até a secagem dos produtos.

Os novos conhecimentos serão essenciais para os apenados, que já poderão aplicar os métodos e técnicas adquiridas em outro projeto impulsionado pelo Pacto, o ‘ArteconP’ – uma fábrica de artigos de concreto instalada dentro do Presídio, implantada através de uma parceria entre Prefeitura, Susepe, Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e colaboradores da iniciativa, como Olavo Rocha, que doou uma das máquinas para o trabalho.

Ressocialização

A lista de interessados, tanto da população carcerária para trabalhar, quanto das instituições que desejam o serviço do ‘Mão de Obra Prisional (MOP)’, aumenta cada vez mais, conta o coordenador do projeto na Susepe, Hamilton Martins. A iniciativa que já assina obras de requalificação em 24 unidades de saúde e é responsável pela recuperação de prédios públicos – a mais recente, feita na escola estadual Dr. Franklin Olivé Leite, é motivo de satisfação para o coordenador. 

“Depois de 30 anos de serviço público, vejo que esta é a única forma que existe de recuperar quem está na prisão. Simplesmente trancar, segregar, não dar opções e não prepará-los para voltar à convivência em sociedade, é um erro. Precisamos oferecer uma segunda chance”, argumenta Martins, que credita ao Pacto Pelotas pela Paz a visibilidade maior que as ações ressocializadoras têm ganhado no Município.

Segunda chance

Uma das lideranças positivas dentro do presídio, de acordo com o representante da Susepe, foi à empresa e observou atentamente todo o processo de confecção. Serralheiro de formação, ele confirma que a experiência refletirá tanto na qualificação profissional do grupo, como nas perspectivas para o futuro. Sobre a influência que exerce sobre os demais detentos, o apenado reforça que os orienta a trilhar um caminho de trabalho e esforço.

Funcionários da empresa parceira auxiliam no aprendizado – Foto: Michel Corvello
“A gente precisa desse amparo; é através dele que conseguimos mostrar para a sociedade que temos condição de mudança. Precisamos dessa esperança, porque sem ela não temos nada”, disse o apenado, que garante que o serviço ocupa sua mente durante todo o tempo. “Antes de dormir, a planilha de trabalho do dia seguinte já está montada”, completa.

A visita já deve interferir na rotina da fábrica de concretos do PRP, em breve. Depois de conhecer as técnicas implantadas pela Artecim, o grupo ficou engajado para fazer mudanças no processo de produção de tubos; entre elas, criar um espaço com sombra e sem vento para a secagem do concreto – o que melhora a resistência do material.

Foto: Michel Corvello

Projeto modelo

Sócio-proprietário da Artecim, Eduardo Corrêa conta que aceitou a proposta assim que foi contatado, por acreditar que a iniciativa serve de modelo para todo o país. “É um projeto importante que beneficia não só os apenados, mas também a sociedade”, afirma Corrêa.

A visita à empresa, fundada há 18 anos e responsável pela produção de, aproximadamente, 300 tubos de concreto por dia (entre os de 40 centímetros e de um metro), foi acompanhada pelo idealizador do MOP em Pelotas, Leandro Thurow, pelo professor da UCPel, José Pedreira, engenheiros da Prefeitura e representantes da Olavo Rocha Construtora.

O mesmo grupo que conheceu as instalações também participou, no início do mês, de um curso de habilitação para pintura em altura, através de uma parceria entre Susepe e a empresa Auxile Educação Profissional. 

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