Companhia Hidráulica Pelotense

 

No dia 22 de abril de 1871, o Decreto Imperial nº 859, do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas autorizou o Sr. Hygino Côrrea Durão a abastecer com água potável a cidade de Pelotas.

De posse do decreto, Durão, apresentou-se no Governo da Província em 3 de maio de 1871, solicitando a assinatura de um contrato de abastecimento de água para a cidade de Pelotas. O presidente da província, conselheiro Francisco Xavier Pinto Lima, contratou o Sr. Hygino Corrêa Durão. Os principais pontos do contrato estabelecido com Durão previam:

Companhia Hydraulica Pelotense
Companhia Hydraulica Pelotense

Art. 1º O contraente deveria canalizar o Arroio Moreira, desde a cachoeira até o interior da cidade de Pelotas. Construir uma represa e os tanques de depósitos necessários para conter três mil metros cúbicos de água, e na cidade um ou mais reservatórios com igual capacidade. A água deveria estar límpida antes de entrar no encanamento.

Art. 2º O contraente era obrigado a colocar quatro chafarizes, possuindo quatro torneiras, com candelabros para o serviço diário e noturno. Os chafarizes deveriam ser de ferro, em tudo iguais aos da capital.

Art. 4º O contraente poderia arrendar “pennas d'água”, edificar casas de banho e lavadouros públicos.

Art. 5º O barril d'água de 25 litros não poderia ser comercializado a um custo superior a 20 réis.

Art. 6º As repartições públicas seria fornecida água gratuitamente, devendo os órgãos públicos fazer por sua conta a canalização e a distribuição interna.

Art. 8º O contraente daria começo às obras dentro de 8 meses, e a canalização geral das águas e a construção dos chafarizes ficariam prontas e funcionariam dentro de 30 meses, a contar da data de assinatura do contrato e a sua aprovação pelo governo.

Art. 22º Em todos os direitos e obrigações deste contrato poderia o contratador, substituir-se por uma companhia que a incorporasse.

Conforme previsto no artigo 22º do contrato de Hygino com a Província, ele poderia vender, ceder ou transferir os direitos adquiridos para a implantação do sistema de água potável encanada em Pelotas, para quem tivesse o capital necessário para a prestação do serviço.

Em Pelotas, a venda realizou-se no dia 18 de novembro de 1871 para os seguintes: Coronel João Simões Lopes, Antônio José de Azevedo Machado Filho e Adriano José de Mello. Fundou-se então a Companhia Hydráulica Pelotense.
A escritura, lavrada na ocasião, previa que Durão era obrigado a executar por empreitada o projeto geral das obras para o fornecimento de água para a cidade de Pelotas. Dessa forma ele tornou-se o gerente e diretor financeiro da Companhia.
As primeiras plantas e detalhes da execução do projeto de canalizações e distribuição de água, os respectivos orçamentos e relatórios vieram dos senhores R. B. Bell & D. Miller, engenheiros de uma firma em Glasgow, na Escócia, sendo depois submetidos à aprovação do governo da Província. O presidente, senador Jerônimo Martiniano Figueira de Mello, aprovou os projetos.
Em 1908, Companhia Hydráulica Pelotense foi extinta pela incapacidade de implantar um sistema de esgotos na cidade. A Intendência Municipal adquiriu todo o acervo da Companhia, pela quantia de 1200 contos de réis, contraindo para tanto um empréstimo para pagar em 60 anos.