Caixa D'água

 

Histórico

Em 1871, um decreto imperial autorizou a implantação da Companhia Hydráulica Pelotense em Pelotas, sob a direção de Hygino Corrêa Durão. A primeira cláusula do contrato da Companhia previa a colocação de um reservatório de água no centro da cidade.

Assim, a caixa d’água foi comprada da empresa Hanna Donald & Wilson, Makers, Abbey Works, localizada na cidade de Paisley, Escócia, no ano de 1875. O reservatório veio de navio em peças para ser montado, juntamente com o engenheiro responsável por coordenar os trabalhos de montagem. Para conduzir o material, a Companhia Ferro Carril, estendeu trilhos até a praça. Em maio de 1875, começou a ser erguido no Largo da Caridade, hoje Praça Piratinino de Almeida, e as obras foram concluídas em setembro do mesmo ano.

Caixa D'água
Caixa D'água

O jornalista Antônio Joaquim Dias, no dia 13 de julho de 1875, publicou um artigo no Correio Mercantil, relatando o empreendimento de Hygino Correa Durão, diretor da Companhia Hidráulica Pelotense, na construção do R1:

“No largo da Santa Casa de Misericórdia, ergue-se altivo e magestoso o edifício de ferro destinado a reservatório d’água da Companhia Hydráulica Pelotense. É uma obra imponente, um monumento de arte e de subido valor, que veio restabelecer completamente a reputação, até agora um tanto enfraquecida, do contratador dos trabalhos Sr. H. Correa Durão.

Não está de todo concluída essa magnífica obra, porque faltam ainda algumas chapas, que se esperam brevemente, mas pode-se desde já avaliar da sua incontestável e grande importância.

Nunca ninguém se persuadiu que o emprezario da Hydráulica Pelotense cumprisse tão satisfactoriamente a condição do seu contrato que se referia à construção do depósito d’água, nem tampouco jamais passou pela idéia de alguém que fizesse uma obra tão gigantesca e admirável.

Hoje, ante os factos, é de rigorosa justiça restituir-lhe os créditos que se haviam posto em duvida e um dever imprescindivel encarecer o seu procedimento. Nós, que fomos sempre os primeiros a censural-o quando de censura o consideravamos merecedor, queremos tambem ser os primeiros, por desencargo de consciência e por amor a verdade, a tecer-lhe os louvores de que se tornou digno pela maneira honrosa e mesmo superior a toda a espectativa por que desempenhou aquella parte do seu contracto. Fazemos justiça.”

Características estéticas e arquitetônicas

O Reservatório R1, é um monumento de ferro construído com a técnica da pré fabricação em peças. Sua planta é em coroa circular, de forma cilíndrica, com a caixa elevada sobre quarenta e cinco elegantes colunas. Tem capacidade para 1500 m³ de água. No centro superior destaca-se uma cúpula, rodeada de colunas, que destinava-se ao passeio público da época, com acesso através de um escada helicoidal, sob vigilância de um guarda. A caixa d’água é ornada com consoles, grades, molduras e arcos em ferro fundido.

Tombamento

A caixa d’água é um dos quatro bens tombados de Pelotas no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura. O reservatório está registrado no livro de Belas Artes, sob a inscrição nº 561, processo 1064-T-82, com data de 19 de julho de 1984. Os outros bens tombados de Pelotas são as Casas da Praça Coronel Pedro Osório, 2, 6 e 8, o Obelisco Republicano e o Teatro Sete de Abril.