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SQA quer desmistificar benefícios da poda e da caiação de troncos

  "A necessidade da poda para garantir o bom crescimento da árvore é mito", afirma o titular da Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), Alexandre Melo. Com a afirmação, Melo introduz o tema de debates entre ecologistas e de um movimento crescente dentro da secretaria. De acordo com o secretário, o que ocorre é a necessidade urgente de algumas podas devido ao plantio equivocado. Dados da SQA mostram que em torno de 65% das árvores da zona urbana, localizadas nas calçadas, foram plantadas de maneira errada, em local errado e são da espécie errada.
  Atualmente há um movimento pela conscientização da comunidade no sentido de preservar as áreas verdes e não agredir o meio ambiente. Neste movimento está incluso o processo de mudança de mentalidade com relação ao plantio, a poda e à cultura de árvores na zona urbana.
  "Antigamente os hortos estavam direcionados para a produção em larga escala e doação desenfreada de mudas de árvores exóticas, como o Plátano e o Álamo. Hoje, muitas pessoas podam pessoalmente ou solicitam a poda destas árvores devido ao prejuízo que elas causam em calçadas, muros e tubulações.", declara o coordenador de Políticas Ambientais da SQA, Luiz Rampazzo.
  "Podar sempre foi considerado e estimulado como benéfico para as árvores, que, se dizia, cresciam mais fortes e mais rápido. Estamos tentando mostrar para a população que isso é mito e que a prática diminui o tempo de vida do vegetal em mais de cinco anos.", explica Melo.
  REFERÊNCIA MUNDIAL - Para tal conscientização, a SQA elaborou, no ano passado, um Guia de Arborização. Com tiragem de cinco mil exemplares, o guia foi distribuído em eventos da Prefeitura, para os grupos de escotismo e entregue a cada cidadão que chegava até a Secretaria. A elaboração do material surtiu efeitos surpreendentes, segundo Melo. No segundo semestre de 2001 a publicação foi indicada pelo Penuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) como referência bibliográfica para o Planeta. Prévia do Plano Diretor de Arborização a ser elaborado em breve, o Guia de Arborização quadruplicou sua tiragem na segunda edição, publicada este ano. Novamente a serem distribuídos em todas as atividades da Prefeitura e à disposição da comunidade na SQA, os 20 mil exemplares seguem o objetivo de, aos poucos, modificar a cultura de poda, caiação e plantio de árvores de grande porte em locais inadequados.
  CONTRA A LEI - A média semanal de pedidos de poda na Secretaria de Qualidade Ambiental é de 30 requisições. O mesmo número consta, semanalmente, como média de infrações autuadas pelas equipes do órgão por poda irregular. Para realizar a poda de uma árvore é necessário pedido protocolado na SQA. De acordo com Rampazzo, árvores em propriedades privadas só podem ser podadas com autorização da Prefeitura, quando o dono do terreno procede com a atividade acompanhado de um técnico da secretaria (os restos são de responsabilidade do proprietário). Em áreas públicas, as podas são de inteira responsabilidade da Prefeitura (desde a poda até o recolhimento dos resíduos). De 40 a 60% dos pedidos são de podas desnecessárias, de acordo com o coordenador. A lei de nº 4428/99 proíbe a prática aleatória. Mesmo as podas realizadas nos chamados meses sem erre (de maio a agosto) são cruéis, pois são realizadas no período de dormecência, quando o vegetal não produz seiva, porém ainda ferem a árvore e diminuem sua vida", enfatiza Melo.
  MITOS E PRÁTICAS - Outra prática coibida pela SQA é a caiação. De acordo com dados históricos, caiar as árvores (pintar os troncos com cal) remonta o período Napoleônico. Na época, quando o Imperador Napoleão Bonaparte estava para entrar na cidade, seus batedores antecediam seu exército caiando os troncos das árvores para marcar sua chegada. "Com o tempo, a prática foi copiada por outros exércitos e logo incorporada à cultura popular", diz Alexandre Melo, que afirma: "Caiar os troncos das árvores é prejudicial ao vegetal, podendo matá-lo, e não previne a subida de formigas nos galhos. Esse mito deve ser desmontado e a prática, erradicada".
  RECOMENDAÇÕES - O Guia de Arborização traz informações variadas a respeito de plantio e cultura de árvores. Constam na publicação, por exemplo, uma breve justificativa das ações da secretaria com relação à áreas verdes, recomendações de quando, como e quais mudas devem ser plantadas e os locais adequados para cada espécie. Nele é possível compreender quais as podas são necessárias e quais são irregulares. As podas podem ser realizadas (com autorização da Prefeitura e o devido acompanhamento ou atuação efetiva de técnicos da secretaria) quando galhos, raízes ou o vegetal, de maneira geral, entre em conflito com: rede elétrica, rede de água e esgoto, calçamento, circulação de pedestres e veículos (quando prejudica, inclusive, a visibilidade no trânsito), muros e construções em geral. "O que acontece, infelizmente, é que árvores inadequadas foram plantadas, durante anos, em calçadas e outros pontos não recomendados. Espécies de grande porte não podem estar nas calçadas.", diz Rampazzo.
  O HORTO MUNICIPAL - O Horto Municipal ainda faz doações de mudas, mas o processo é criterioso. Hoje são doadas, no máximo, duas mudas por pessoa. Além deste número os exemplares serão vendidos. Para receber uma muda do Horto é necessário pedir liberação na SQA. Além da muda, a pessoa interessada recebe o guia de arborização e outras recomendações. Atualmente, 50% das mudas produzidas pelo Horto são de árvores nativas. A tendência, segundo Rampazzo, é diminuir o número de mudas de espécies exóticas. Junto a este movimento de retomada do plantio em larga escala de árvores nativas, há a idéia de atração da ave fauna nativa. "A intenção é criar um equilíbrio entre a atividade urbana e a sociedade com a natureza. Não devemos acabar com as árvores e muito menos com espécies animais nativas.", explica o secretário de Qualidade Ambiental.


Data: 02/07/2002
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Redator: Ana Paula Penkala