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História de Pelotas
       Foi após a expulsão definitiva dos espanhóis do Rio Grande do Sul, em 1776, que estancieiros, colonos, posseiros e pequenos criadores se espalharam pelas margens da lagoa Mirim, rio São Gonçalo, arroio Pelotas e primeiras elevações da Serra dos Tapes. A concessão de terras era feita através de sesmarias, dadas para aqueles indivíduos mais chegados ao governo ou que se destacavam na luta contra os espanhóis. Embora a sesmaria devesse ter três léguas, era comum que a posse da terra fosse dada mais de uma vez para a mesma pessoa, o que originou os imensos latifúndios que foram a base econômica da região nessa época. Muitos moradores que haviam cultivado terras foram expulsos durante o estabelecimento das grandes estâncias. Por esse tempo não havia nenhum agrupamento urbano, as estâncias e ranchos estavam disseminados pelas margens do rio e dos arroios e algumas vendas se localizavam nos passos. A urbanização só ocorreu com o advento das charqueadas, que se desenvolveram em Pelotas a partir de 1780. Apoiadas no trabalho escravo geraram enorme riqueza para a região e ocasionaram grande crescimento populacional. Assim, em 1815 foi feito o primeiro plano urbano para a então Freguesia São Francisco de Paula, onde os moradores abastados começaram a construir suas casas. Em 1832 São Francisco de Paula atingiu a condição de vila e em 1835 a de cidade, já com o nome Pelotas.
       A indústria do charque prosperava cada vez mais, atingindo seu auge entre 1860 e 1890. Este período é de extrema opulência para a cidade, há um refinamento no trajar, nos hábitos, nas moradias e na cultura da elite, influenciada que estava pelas suas viagens à Europa. Os charqueadores, muito enriquecidos pelo êxito de sua economia, construíram no meio urbano lindos casarões, espaçosos e luxuosos. Também investiram no espaço urbano, promovendo o embelezamento e a modernização da cidade. Como exemplos podemos citar os três chafarizes que vieram da França em 1873; a caixa-d'água da Praça Piratinino de Almeida, que também foi importada nesse início de década, pois estava sendo instalado o serviço de águas e esgotos, assim como o de gás encanado; em 1875, o calçamento das ruas do centro e a desobstrução do canal São Gonçalo, permitindo que no ano seguinte atracasse no porto de Pelotas o primeiro navio que conduziu o charque diretamente para os Estados Unidos; e a linha de bonde e a estrada de ferro até Bagé, que foram inauguradas no início da década de 1880.
       A cidade estava se desenvolvendo com rapidez e a riqueza de seus habitantes era visível nas ruas. Era também impressionante a quantidade de negros que circulavam por elas, pois toda a ostentação exigia um número elevado de escravos. Os escravos de Pelotas foram emancipados em 1884, quatro anos antes da abolição, em ato conjunto de estancieiros e charqueadores. Porém, grande parte dos escravos continuaram trabalhando para seus senhores, pois deveriam cumprir cláusula de prestação de serviços. Muitos charqueadores receberam títulos de nobreza por esse ato, porque o Império pretendia assim desvincular a abolição do republicanismo.
       Um dos importantes momentos de lazer da aristocracia eram os saraus, onde comumente se faziam concertos musicais e recitação de poemas. Eles eram organizados nas casas particulares ou lugares públicos, como a Biblioteca. Também faziam festas em suas casas. No carnaval elas eram mais comuns, tocando-se polcas, valsas, quadrilhas, havaneiras e o can-can. Para essas ocasiões as damas mandavam trazer a última moda de Paris. Nessa época Pelotas chamava a atenção de toda a Província e era muito grande o orgulho pelotense por sua cidade, tornando-se popular, principalmente na década de 1880, a expressão “Princesa do Sul” para denominá-la. Muitos viajantes deixaram registrada em seus depoimentos a impressão que a cidade lhes causou. Neles são comuns referências aos lindos prédios e monumentos, ao aspecto das ruas e bonitos arredores, à grande atividade econômica, ao especial modo de vida de seus habitantes e à presença negra.

       Bibliografia: MAGALHÃES, Mário Osorio. Opulência e Cultura na Província de São Pedro do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas: Editora da UFPEL, 1993. Pág. 124.


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